11 DE SETEMBRO, DEZ ANOS: CIA censura partes de livro sobre o atentado
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11 DE SETEMBRO, DEZ ANOS: CIA censura partes de livro sobre o atentado

João Coscelli

02 Setembro 2011 | 20h38

ESPECIAL: Dez Anos do 11 de Setembro

mapa Israel

Ali H. Soufan, um antigo agente do FBI que trabalhou durante anos no centro da luta contra Al-Qaeda, escreveu um livro sobre os atentados de 11 de Setembro. Na obra, o americano de origem libanesa assegura que a CIA perdeu a chance de evitar os ataques ao WTC e ao Pentágono ao esconder informações sobre dois terroristas que, posteriormente, se envolveram nos atentados. Por isso, a agência de inteligência censurou alguns trechos do texto, segundo reportou o jornal New York Times.

No livro, The Black Banners: The Inside Story of 9/11 and the War Against Al-Qaeda (As bandeiras negras: A história oculta do 11/9 e da guerra contra a Al-Qaeda) Soufan também afirma que as táticas brutais utilizadas pela agência nos interrogatórios de seu primeiro prisioneiro, Abu Zubaydah, foram desnecessárias e improdutivas.

Algumas informações censuradas pela CIA, no entanto, não são novas. Duas pessoas que acessaram a correspondência trocada entre o FBI e a agência garantem que os dados já haviam sido divulgados em audiências no congresso, em um relatório da comissão nacional sobre o 11 de Setembro e também nas memórias de George J. Tenet, ex-diretor da CIA.

Soufan, que fala árabe, desempenhou um papel central em grande parte das investigações contra o terrorismo desenvolvidas entre 1997 e 2005. De acordo com ele, diferente da justificativa dada pela CIA – que afirma que os cortes estão relacionados com questões de segurança nacional – as mudanças foram feitas para que ele não divulgue sua visão pessoal de assuntos que podem prejudicar a imagem da agência.

Muitos cortes parecem ter pouco a ver com temas de segurança nacional, entre eles um depoimento de Soufan feito no senado em 2009 e que está disponível em vídeo e transcrito na internet. A agência ainda removeu os pronomes “eu” e “mim” de capítulos nos quais o autor descreve sua função nos interrogatórios de Abu Zubaydah e eliminou referências ao fato de que a foto do passaporte de um dos sequestradores dos aviões, Khalid Al-Midhar, tinha sido mandada para a agência em janeiro de 2000.

Soufan garante que os cortes feitos pela CIA são “ridículos” e que ele espera recuperá-los nas seguintes edições da obra. Ele também acredita que os oficiais antiterroristas têm a obrigação de admitir “onde erraram e comunicar a população americana”. De outro lado, Jennifer Youngblood, porta-voz da CIA, afirmou que a revisão feita antes de os livros serem publicados visa somente avaliar a forma como as informações são classificadas.

O livro, escrito com a assistência de Daniel Freedman, colega de Soufan na agência, deve ser lançado em 12 de setembro, com todos os cortes exigidos pela CIA. Mas Drake McFeely, presidente da editora W.W. Norton and Company, garantiu que pretende publicar a versão completa, caso a vontade de Soufan prevaleça na disputa.

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