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5 pontos sobre a viagem do Papa Francisco ao México

Pontífice levará mensagem de esperança e solidariedade para as vítimas da violência, do tráfico e da discriminação no país

Redação Internacional

12 de fevereiro de 2016 | 10h17

O primeiro papa latino-americano da História viaja para o México nesta sexta-feira, 12, para uma visita de uma semana em um dos lugares mais pobres e violentos do continente americano. Ele levará uma mensagem de esperança e solidariedade para as vítimas da violência, do tráfico e da discriminação – mensagem a qual o Vaticano espera que ressoe ao longo da fronteira norte do país. Confira abaixo cinco pontos sobre a viagem de Francisco para o maior país católico de língua espanhola do mundo.

Parada ortodoxa

Francisco é conhecido por sua espontaneidade, mas mesmo para os padrões dele, o acontecimento será grande. Pela primeira vez, um papa e um patriarca da Igreja Ortodoxa Russa se encontrarão em Cuba antes de seguir para o México. O Vaticano vê o encontro como um passo histórico no caminho para tentar amenizar o cisma centenário que dividiu o Cristianismo. A preocupação com a situação dos cristãos na Síria e no Iraque tem aproximado as duas Igrejas.

“Mexicanização”

O papa cometeu sua primeira grande gafe diplomática quando, em um e-mail particular enviado em 2015 para um amigo, sinalizou que o aumento da dificuldade de lutar contra as drogas na Argentina aumentaria o risco de o país se tornar um paraíso para o tráfico, como acontece no México, onde os cartéis aterrorizam a população e se infiltram na polícia e em instituições públicas. O comentário irritou os mexicanos, fazendo com que o Vaticano se desculpasse prontamente. Mas o fato destacou o pensamento radical de Francisco com relação ao tráfico de drogas e a corrupção, postura qualificada por ele mesmo como um pecado incompatível com o Cristianismo. Espera-se que o pontífice faça um discurso sobre esses dois problemas durante sua visita.

Relações entre a Igreja e o Estado

O papa Francisco pediu aos seus bispos que não se sintam reprimidos em denunciar a corrupção e os crimes organizados. “Acima de tudo, temos que levantar nossas vozes para condenar a corrupção e as ligações que existem entre certas estruturas de poder e os cartéis de drogas e narcotraficantes, que os permitem viver livremente e impunes”, disse recentemente o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin.

Igreja indígena

O bispo Samuel Ruiz, conhecido como “o bispo dos pobres” pela ajuda que prestava à população pobre do sul do México, entrou em conflito com o governo e, algumas vezes, como o Vaticano. Seu crime foi defender os direitos dessas pessoas, abraçando os costumes dos maias em liturgias e treinando diáconos casados para auxiliar os indígenas, que tinham mais estima por trabalhadores casados do que por padres celibatários. Em 1993, o embaixador do Vaticano no México pediu para Ruiz renunciar, mas recuou após os indígenas saírem em sua defesa. Depois de Ruiz se aposentar em 1999, o Vaticano suspendeu a ordenação de diáconos sob a explicação de que isso estaria dissuadindo os homens a entrarem no sacerdócio. Em 2014, Francisco acabou com a proibição e, no ano seguinte, pediu desculpas pelos crimes que a Igreja Católica cometeu contra a população indígena.

Oração para além das fronteiras

O ponto alto da visita ao México será quando o papa chegar em Ciudad Juarez e orar por todos aqueles que morreram tentando cruzar a fronteira do país. Ele já pediu aos países que recebam bem os imigrantes e refugiados que fogem da pobreza e opressão, pedindo novas e ousadas soluções para esses problemas e denunciando a “globalização da indiferença” que o mundo demonstra a eles. /ASSOCIATED PRESS

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