5 principais pontos do discurso de Trump no Congresso
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5 principais pontos do discurso de Trump no Congresso

Fala do presidente foi marcada por mudança de tom com relação à imigração e inúmeras dúvidas

Redação Internacional

01 de março de 2017 | 14h34

WASHINGTON – Em seu primeiro discurso no Congresso dos EUA, o presidente Donald Trump defendeu que republicanos e democratas aprovem uma reforma no sistema de imigração americano que amplie as possibilidade de entrada legal no país de trabalhadores qualificados. Apesar disso, o magnata voltou a apresentar a imigração como uma ameaça à segurança e à prosperidade econômica dos americanos, e disse que começará logo a construção do muro na fronteira com o México.

Veja abaixo os principais momentos do discurso de Trump, segundo a emissora CNN.

Presidente dos EUA, Donald Trump, faz discurso no Congresso (Foto: EFE/Pete Marovich)

Presidente dos EUA, Donald Trump, faz discurso no Congresso (Foto: EFE/Pete Marovich)

“Gravado na eternidade”

Um dos momentos de maior destaque na fala do presidente foi quando se dirigiu diretamente a Carryn Owens, viúva de Ryan Owens, um soldado morto em uma ação contra a Al-Qaeda no Iêmen nos primeiros dias de seu governo. Trump disse que “Ryan morreu como viveu: como um guerreiro, como um herói”. Depois, defendeu o valor da inteligência adquirida no ataque. “O legado de Ryan ficará gravado na eternidade.” A fala levou a aplausos que duraram 2 minutos e 11 segundos. “A Bíblia nos ensina que não há ato maior de amor do que dar a vida por um amigo”, afirmou o mandatário. “Ryan deu sua vida por seus amigos, por seu país e pela nossa liberdade. Jamais esqueceremos dele.”

Mudança de tom

Apesar de Trump ter citado, em discursos recentes, os EUA como uma nação que precisa ser resgatada, na noite de terça-feira ele agiu de forma diferente. “Curas para as doenças que têm nos atormentado desde sempre não são muito a se esperar. Pegadas americanas em mundos distantes não é um sonho grande. Milhões de pessoas retiradas de seu bem-estar para trabalhar não é muito a se esperar. E as ruas onde mães estão livres do medo, escolas onde crianças aprendem em paz, e trabalhos nos quais os americanos prosperam e crescem não é muito a se pedir”, declarou.

Questão da saúde foi ignorada

Trump defendeu abertamente o projeto de anular e substituir o Affordable Care Act – a lei sobre o sistema de saúde patrocinada pelo ex-presidente Barack Obama. Mas se os legisladores republicanos queriam claridade em seu caminho para alcançar a promessa do presidente de “expandir escolhas, aumentar acessos, diminuir custos e, ao mesmo tempo, fornecer um sistema de saúde melhor”, não conseguiram. Se por um lado, o magnata pediu por expansão de acesso à saúde, por outro, pediu financiamento do Medicaid que garanta que “ninguém seja deixado de fora” por governos estatais – proposta que conta com o apoio dos democratas, mas a qual os republicanos consideram muito cara. Os detalhes sobre a política de Trump para o setor não foram especificados durante seu discurso. Ele terminou a fala com um pedido de cooperação bipartidária ao anular e substituir o Obamacare, que “está em colapso”.

Promessas, promessas, promessas

Trump fez muitas promessas na noite de terça-feira, mas nenhuma delas foi detalhada. Prometeu “um grande corte” nas taxas corporativas. “Ao mesmo tempo, providenciaremos um alívio fiscal maciço para a classe média”, disse ele, sem especificar como o fará. O mandatário prometeu US$ 1 trilhão em programas de infraestrutura, mas não explicou como será o investimento. Ele também afirmou que iria acabar com os jihadistas do Estado Islâmico, mas não falou sobre os problemas específicos dos confrontos do Exército americano no Iraque, Síria e outros lugares.

Imigração

Horas antes do seu discurso, Trump soltou uma bomba: disse aos jornalistas que queria uma reforma migratória compreensível e esperava que democratas e republicanos se comprometessem a trabalhar para isto acontecer. No entanto, no Congresso, o republicano evitou o assunto. Ele não mencionou nenhuma legislação ou política de reforma migratória específica, e acabou deixando muitas dúvidas sobre a legalidade dos “dreamers” – pessoas que foram levadas aos EUA por seus pais quando tinham menos de 16 anos -, como o muro na fronteira seria levantado, entre outras.