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5 Razões para o presidente Trump odiar o acordo nuclear com o Irã

Americano retirou aval ao pacto nesta sexta-feira, mas ruptura depende do Congresso dos EUA

Redação Internacional

13 Outubro 2017 | 21h11

1. Durante a campanha, Trump criticou a negociação entre o governo Obama e Teerã para a liberação de quantias iranianas congeladas. “Nós damos a eles US$ 150 bilhões e não recebemos nada”. A declaração não estava correta. O dinheiro pertencia ao Irã, a maioria era originária da venda legal de petróleo. A quantia estava congelada em bancos pelo mundo em razão das sanções relacionadas ao programa nuclear iraniano. A liberação desse dinheiro, estimado na verdade em US$ 100 bilhões, fez parte de um acordo e apenas uma parte acabou indo para o Irã, em razão de pagamento de alguns débitos. Outras quantias não ligadas ao programa nuclear ainda estão bloqueadas.

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2. Em setembro, Trump acusou o Irã de testar mísseis balísticos: “Não é muito o acordo que temos!” De fato, um vídeo divulgado pela mídia iraniana mostra o lançamento de um míssil que deu errado em janeiro. O acordo negociado em 2015, no entanto, é limitado ao programa nuclear. O raciocínio por trás dele era o de que seria melhor confrontar o Irã em outras esferas se a nação não tivesse material para construir uma bomba. A intenção sempre foi tratar essas questões separadamente.

3. Trump reclama que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), organização responsável por inspecionar as instalações nucleares do Irã, não tem poder suficiente para monitorá-las. Ele e outros críticos disseram que inspetores não têm acesso às áreas militares fechadas onde algum trabalho suspeito possa estar sendo conduzido em segredo. Na verdade, o acordo se resguarda de algumas provisões para permitir a inspeção de áreas militares. No entanto, requer um pedido prévio de acesso e a AIEA tem de apresentar bases para sua preocupação. Autoridades iranianas têm repetidamente dito que as áreas militares estão fora dos limites da AIEA.

4. Algumas partes do acordo são permanentes e esse foi o aspecto mais longo da negociação. Há várias datas de validade para restrições impostas. Críticos dizem que, quando elas expirarem, o Irã estará livre para construir ou adquirir armas nucleares. Alguns desses limites, como o número de centrífugas ou o desenvolvimento de modelos mais avançados delas, foram impostos para 2025, outros duram mais. Mas outras continuarão valendo indefinidamente. O país concordou em nunca construir uma arma nuclear.

5. Durante reunião com militares, Trump disse que o Irã não estava respeitando “o espírito do acordo” e reclamou que o país falhava em suas promessas ao apoiar o regime sírio e desenvolver mísseis balísticos. Ninguém discorda que as atividades de Teerã são uma influência desestabilizadora na região. Mas o objetivo central do acordo sempre foi o de garantir que as tensões não levariam a uma corrida de armas nucleares na região. / W. POST

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