52 anos de conflito que marcaram a sangue a história da Colômbia
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52 anos de conflito que marcaram a sangue a história da Colômbia

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) marcaram a sangue e fogo a história da Colômbia em uma luta pelo poder pela via armada, cujo fim se vislumbrou na quarta-feira 24, com o anúncio de um acordo de paz definitivo com o governo

Redação Internacional

25 Agosto 2016 | 11h12

Relembre abaixo os principais momentos do confronto entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo colombiano:

– 1964: a fundação
O dia 27 de maio de 1964 é considerado a data de fundação das Farc. Foi quando aconteceu o primeiro combate de um grupo de camponeses, liderados por Pedro Antonio Marín, mais conhecido por seu nome de guerra Manuel Marulanda Vélez (“Tirofijo”). Eles resistiam à ofensiva militar em Marquetalia, no centro da Colômbia, considerada pelo governo conservador de Guillermo León Valencia como uma “república independente” de influência comunista.

Combatentes das Farc patrulham estrada perto de San Vicente de Caguan, em 1999, durante negociaçõã de paz fracassada

Combatentes das Farc patrulham estrada perto de San Vicente de Caguan, em 1999, durante negociaçõã de paz fracassada

– 1984, 1991, 1999: os processos de paz frustrados
A primeira tentativa de negociação de paz entre governo e Farc começou em 28 de março de 1984, quando o presidente Belisario Betancur e a guerrilha instalaram uma mesa de diálogo em meio a uma trégua bilateral. Essas conversas fracassaram em 1987, assim como outras duas, iniciadas em 1991 com o presidente César Gaviria e, em 1999, com o presidente Andrés Pastrana. Esse último processo, que durou até 2002, foi conhecido como “Diálogos do Caguán”, em referência à essa região de 42.000 km2. O presidente ordenou a desmilitarização dessa área no sul do país para que a guerrilha se concentrasse durante as discussões.

– Anos 1990: a escalada rebelde
Os anos 1990 foram marcados por uma estratégia de guerra das Farc que incluiu ataques a povoados, a bases militares e a quartéis de Polícia. Também recorreram ao sequestro de civis para a cobrança de resgates. Marcaram essa época a tomada da cidade amazônica de Mitú em 1998 – com 37 mortos e 61 policiais caídos em poder dos rebeldes – e o massacre de Bojayá em 2002, onde morreram 79 pessoas em uma igreja, na qual tentavam se proteger dos combates. Talvez o fato do qual o mundo mais se lembre seja o sequestro, em 2002, da pré-candidata à Presidência Ingrid Betancourt, libertada seis anos depois pelo Exército. Seu cativeiro se transformou no símbolo do drama de civis, policiais e militares feitos reféns na Colômbia. Alguns ficaram em poder dos rebeldes por até dez anos.

– Anos 2000: o Plano Colômbia e a ofensiva oficial
Em 2000, os Estados Unidos e o governo de Pastrana lançaram o “Plano Colômbia”, uma estratégia contra o narcotráfico ampliada para a luta contra a guerrilha. Graças ao plano, em 15 anos foram enviados US$ 10 bilhões em fundos americanos para equipamento militar e para treinamento no país sul-americano. Assim, abriu-se uma década de forte ofensiva oficial contra as Farc, liderada pelo presidente Álvaro Uribe (2002-2010). Durante seu mandato, o comando das Farc sofreu duros golpes. Em 2008, além da morte (que teria ocorrido por causas naturais) de “Tirofijo”, mataram Raúl Reyes, o responsável internacional da guerrilha, em uma operação do Exército colombiano no Equador. A estratégia de cortar a cabeça da guerrilha continuou com Juan Manuel Santos na Presidência. Primeiro, o chefe militar Jorge Briceño – conhecido como “Mono Jojoy” – morreu em 2010 em um bombardeio e, depois, em outra operação, realizada em 2011, foi a vez de Alfonso Cano, sucessor de “Tirofijo”.

– 2012: até o fim da confrontação
Depois da escalada militar, a pedido do presidente Santos e do novo líder das Farc, Rodrigo Londoño, identificado como Timoleón Jiménez (“Timochenko”), lançou-se um diálogo de paz, formalmente, em Oslo, em 18 de outubro de 2012. A mesa de negociações foi instalada em Havana, em novembro desse mesmo ano, com Cuba e Noruega como avalistas, e Chile e Venezuela, como acompanhantes. Em 24 de agosto de 2016, as partes anunciaram ter alcançado um acordo de paz definitivo, que deverá ser referendado pelo povo colombiano em votação no da 2 de outubro. / AFP

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