A ‘censora’ de Guantánamo
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A ‘censora’ de Guantánamo

Ricardo Chapola

03 de maio de 2010 | 10h00

DIANAHAYNIE

Toda noite em Guantánamo, a major Diana Haynie coloca o chip da câmera do Estado em seu computador. Já virou rotina. Ela conta de sua vida enquanto passa de foto em foto, censurando as que considera “sensíveis”, como quem já fez isso zilhões de vezes com jornalistas do mundo inteiro. Ao final, depois de listar as imagens vetadas, dá uma folha para o Estado assinar, consentindo com a censura. Quem não assina, não fica na base.

Filha de imigrantes poloneses, a major Haynie mora em Guantánamo há um ano. Gosta da vida tranquila na base, da praia caribenha, das sessões de filme a céu aberto à noite. Admite que gosta também de seu trabalho – “é um grande desafio contar a história de Guantánamo” – que consiste em ajudar, acompanhar, escoltar e controlar todos os jornalistas que aqui desembarcam.

A major, nascida no Estado de Nova York, tem 46 anos, pele e olhos claros, é loira e “stocky”, como dizem os americanos. Fala rápido e balança a cabeça para cima e para baixo ao final de cada frase, geralmente adicionando um “uhum”. Ela está há 19 anos no Exército, que nos anos 90 a levou para Alemanha, onde ela auxiliava nas operações da Guerra da Bósnia.

Diana é casada há quatro anos com um piloto de helicóptero, veterano das duas guerras do Iraque. Tem apenas um filho, de 16 anos, que estuda em colégio militar e sonha em cursar a prestigiada academia de West Point, na qual os grandes generais americanos são formados.

“Não me considero uma censora”, afirma a major. “Cumpro regras por boas razões de segurança.”

Diana diz não acreditar nas histórias de tortura em Guantánamo. Os presos, argumenta, têm “mais acesso do que muitos americanos” à comida, assistência médica e outros cuidados. Todos os funcionários do governo na base estão fazendo um “trabalho honrado”, conclui.

Sobre o fechamento da prisão, prometido por Obama, ela diz não ter opinião. Apenas acredita que é “errado” gastarem o dinheiro de americanos comuns levando detentos de Guantánamo a prisões dentro dos EUA.

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