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A contra-cultura zelaysta

Ricardo Chapola

28 de janeiro de 2010 | 00h46

Zelaystas protestam diante do Congresso

Pode parecer estranho, mas oito meses de protestos em apoio a Manuel Zelaya acabaram por criar uma espécie de “cultura zelaysta”. Explica-se: os milhares de hondurenhos que foram às ruas contra o golpe formaram um nicho à parte na sociedade, com músicas típicas e roupas. Zelaya pariu uma “tribo”.

Ontem, na megamanifestação que marcou o exílio do deposto, o fenômeno era evidente. Zelaystas vestem vermelho – estampas de Che Guevara fazem sucesso – e usam chapéu cowboy com uma bandana na altura da testa escrita “Mel” (apelido de Zelaya). Para meninas, há a versão rosa do sombreirão. Tudo pode ser comprado nas tendas de ambulantes, que encontraram nas manifestações um grande filão de mercado.

Além do vestuário, vendedores ainda deixam expostos nas barraquinhas vários CDs com gravações dos principais hinos entoados nas marchas – algo como “As sete melhores de Zelaya”. As músicas têm uma clara influência de Mercedes Sosa e outros ícones cancioneiros da esquerda latinoamericana. No universo brasileiro, seria algo meio Geraldo Vandré. “Nos tienen miedo porque no tenemos miedo”, diz um belo refrão, embalado por um violão encorpado. Há alguns meses, porém, a trilha sonora ainda era precária e o mesmo hino era tocado em cima de carros de som por bandinhas improvisadas. Agora, é gravação de estúdio e remix. O líder da manifestação só precisa apertar o play.

O mascote da tribo zelaysta é um gorila vestido com uma farda. Seu nome: “Goriletti”, em homenagem ao ex-presidente de facto, Roberto Micheletti. O termo que rendeu o personagem foi inventado pouco após o golpe pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. “Micheletti, Goriletti, golpistas são sempre a mesma coisa”, dissera na época Chávez.

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