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A diferença entre as sanções removidas e as novas sanções ao Irã

No sábado, EUA e Europa suspenderem sanções econômicas e financeiras contra o Irã; um dia depois, Washington criou novos embargos em razão do programa de mísseis balísticos de Teerã

Redação Internacional

18 Janeiro 2016 | 10h23

No sábado 16, Estados Unidos e Europa anunciaram a suspensão das sanções econômicas e financeiras ao Irã, após a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmar que a república islâmica cumpriu os termos do acordo nuclear assinado em julho com o grupo P5+1 (Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, China, Rússia e Alemanha).

No entanto, no domingo 17, ao comentar o assunto, o presidente americano, Barack Obama, anunciou novas sanções contra 11 companhias ou indivíduos iranianos, agora em razão do programa de mísseis balísticos desenvolvidos por Teerã.

Entenda as diferenças entre as sanções dos EUA:

– PROGRAMA NUCLEAR

As sanções contra o Irã foram inicialmente implementadas após a Revolução Islâmica, em 1979, mas foi apenas no fim dos anos 2000 que elas mudaram de foco para o desenvolvimento do programa nuclear iraniano. O objetivo das medidas americanas – apoiadas pela ONU e pela Europa – era frear a capacidade de a República Islâmica desenvolver armas de destruição em massa.

As sanções proibiam, por exemplo, que investidores americanos colocassem seu dinheiro em empresas iranianas. Outro alvo dos embargos foram o sistema financeiro e o setor bancário iraniano, de forma que a partir de 2011 as medidas passaram a proibir as empresas estrangeiras que negociassem com o governo, indivíduos ou empresas iranianas sancionadas de fazer transações nos EUA ou no exterior em dólar.

Essas sanções também excluíram os bancos iranianos do sistema Swift, o sistema internacional de transferências bancárias, fazendo com que US$ 100 bilhões de ativos iranianos que estavam em contas no exterior fossem congelados.

No momento mais crítico, as sanções também afetaram o setor petrolífero do Irã, ao desencorajarem importadores de petróleo de realizar transações com o banco central iraniano e comprometendo assim até 50% das receitas de Teerã e 20% do PIB do país.

– MÍSSEIS BALÍSTICOS

De acordo com as Nações Unidas, em outubro de 2015 o Irã realizou um teste de precisão com um míssil balístico capaz de carregar ogivas nucleares, violando uma proibição da própria ONU. Teerã alega que o míssil testado tinha capacidade apenas para carregar explosivos comuns.

O presidente Barack Obama afirmou, ao anunciar as novas sanções em razão desse teste, que o Irã violou suas “obrigações internacionais”.

As restrições foram impostas a 11 companhias ou pessoas que forneceram materiais para a República Islâmica continuar desenvolvendo o programa, mesmo com a proibição da ONU. Entre os afetados estão, por exemplo, a Mabrooka Trading – uma empresa com sede nos Emirados Árabes Unidos – e seu dono, Hossein Pournaghshband, por ajudarem o Irã a produzir fibra de carbono para o programa.

Outras pessoas e empresas foram incluídas na lista por “fornecer, ou tentar fornecer, apoio financeiro, material, tecnológico ou de outro tipo, além de bens e serviços” para o programa de mísseis iraniano. / REUTERS

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