A equipe de Putin em seu quarto mandato
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A equipe de Putin em seu quarto mandato

Presidente mantém em segredo uma possível reorganização, mas afirmou que se houver mudanças elas serão anunciadas em maio; veja quem são as pessoas próximas ao líder russo

Redação Internacional

19 Março 2018 | 12h04

MOSCOU – Vladimir Putin, reeleito no domingo 18 para seu quarto mandato, manteve em segredo uma possível reorganização de seu gabinete. “Pensarei no que vou fazer e de que maneira o farei”, afirmou ele após sua vitória. Ele explicou que se houver mudanças elas serão anunciadas no começo de maio.

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Vladimir Putin disse que se houver mudanças em seu gabinete elas serão anunciadas em maio (Foto: AP Photo/Alexander Zemlianichenko)

Vladimir Putin disse que se houver mudanças em seu gabinete elas serão anunciadas em maio (Foto: AP Photo/Alexander Zemlianichenko)

Dmitri Medvedev, primeiro-ministro cuja saída é especulada, e Serguei Lavrov, a voz de Moscou no confronto com o Ocidente, são nomes fiéis a Putin. Saiba mais sobre esses e outros nomes abaixo.

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Dmitri Medvedev, primeiro-ministro

Em 2008, Putin designou Medvedev, na época um desconhecido, como sucessor a frente da Rússia. Desde então, jamais saiu da sombra do atual presidente. Após quatro anos na presidência, cedeu o posto a Putin e voltou ao cargo de premiê, seguindo o plano traçado anteriormente.

Medvedev ocupa um lugar cada vez mais secundário, limitado a questões técnicas. Em 2017, uma investigação anticorrupção do opositor Alexei Navalni sobre seu suposto patrimônio desencadeou manifestações da oposição. Embora a imprensa anuncie com frequência sua saída, o impopular Medvedev jamais perdeu o respaldo de seu mentor, ao qual mantém uma lealdade sem igual.

Serguei Shoigu, ministro de Defesa

A modernização do Exército russo foi mérito dele, assim como a “vitória” da Rússia na Síria. Ministro da Defesa desde 2012, Shoigu é um dos poucos membros do círculo de Putin que não faz parte do “clã” de São Petersburgo.

Oriundo da república siberiana de Tuva, ele é um notável gestor que demonstrou seu valor no Ministério das Situações de Emergência, o qual dirigiu durante quase 20 anos e o transformou por completo.

Serguei Lavrov, ministro das Relações Exteriores

Diplomata respeitado, Lavrov ocupa o cargo desde 2004. Conhecido como um negociador inflexível, o chefe da diplomacia russa continua atuando em defesa do país aos 67 anos, e faz quase diariamente declarações sobre a crise síria e a ucraniana.

Igor Sechin, amigo de Putin

Velho amigo de Putin, Sechin ficou a frente da companhia de petróleo Rosneft, a qual transformou em uma gigante mundial apesar das críticas sobre sua gestão. Após se converter em um dos homens mais poderosos da Rússia, hoje ele parece intocável e pode enfrentar sem temor o ministro da Economia, Alexéi Uliukáev, que se opunha à compra do grupo Bachneft pela Rosneft.

Pouco depois, Uliukáev foi preso na sede de Rosneft acusado de cobrar subornos. Apesar das várias dúvidas sobre o caso, ele foi condenado a passar oito anos em um campo de detenção em um julgamento ignorado por Sechin.

Elvira Nabiúllina, economista

Economista renomada, Elvira foi nomeada para comandar o Banco Central da Rússia em 2013, para a surpresa de todos. Os círculos financeiros aplaudiram sua gestão da grave crise financeira que golpeou o país em 2014. Durante seu mandato, o órgão manteve os altos cargos e fechou dezenas de bancos que atuavam sob práticas duvidosas, aplicando métodos às vezes radicais e impopulares que evitaram um naufrágio econômico na Rússia.

Alexei Kudrin, assessor de Putin

Ministro das Finanças entre 2000 e 2011, Kudrin nunca permaneceu muito distante do jogo político russo. O gestor, que é muito elogiado no exterior, aproveita sua independência para dar à imprensa lições de gestão econômica.

Seu retorno ao governo é um rumor recorrente, difundido por aqueles que querem acreditar em uma Rússia que não dependa definitivamente do Ocidente. Assessor de Putin na campanha eleitoral, ele deu na semana passada uma entrevista ao jornal Vedomosti na qual explicou o que faria se fosse premiê. Sua volta parece, contudo, improvável, já que sugeriria uma aproximação com o Ocidente e implicaria uma convivência complicada com seu inimigo Medvedev. / AFP

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