As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A semana em sete notícias

Redação Internacional

14 de agosto de 2010 | 15h00

Confira o que foi destaque no noticiário internacional da semana que passou.

Domingo, 8 de agosto – José Antonio Sánchez tem poucos dentes, trabalha como sapateiro semana sim, semana não, e vive em Petare, a maior e mais perigosa favela de Caracas – 1 milhão de habitantes. Em sua casa, a água chega de vez em quando, amarela. O posto de saúde que frequenta, com seus médicos cubanos, tem uma fila enorme e só abre até meio-dia. No mercadinho socialista de Hugo Chávez, o Mercal, falta frango, carne, margarina e papel higiênico. Apesar disso, Sánchez não pensa em votar na oposição em 26 de setembro. Não sabe quem a representa. A Venezuela vive a maior recessão dos últimos anos. Sua inflação deve ficar em 35%, a mais alta do mundo. O desemprego está em 8,5%. Enquanto toda a América Latina cresce, o PIB da Venezuela vai encolher 4,4%, depois de ter recuado 3,3% no ano passado. A produção de petróleo deve cair 1%. O racionamento de energia deixa milhões de venezuelanos até 6 horas por dia sem luz. Mesmo assim, a popularidade de Chávez está em 47%, segundo pesquisa de julho da Datanalisis. Está em queda, se comparada à de 2006, quando 71,5% dos venezuelanos o apoiavam. Mas ainda é maior que a do presidente americano Barack Obama, que está com 44%, segundo Gallup desta semana.

Segunda-feira, 9 de agosto – O presidente venezuelano, Hugo Chávez, se reunirá com o novo líder colombiano, Juan Manuel Santos, em Bogotá. O anúncio foi feito pela chanceler colombiana, Maria Angela Holguín, após encontro com seu colega venezuelano, Nicolás Maduro. Durante o dia, Chávez já havia selado a aproximação, ao exortar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a soltar todos os seus reféns. As declarações do venezuelano e o agendamento da reunião indicam o fim de uma crise diplomática iniciada há duas semanas, quando o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe denunciou a presença das Farc na Venezuela.

Terça-feira, 10 de agosto – Depois de um fim de semana de negociações de seus chanceleres, o novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, agendaram um encontro no histórico balneário de Santa Marta, no Caribe colombiano. Além de tratar do reatamento das relações entre os dois países, suspensas desde 22 de julho, a reunião servirá para que o presidente Santos defina sua estratégia contra a guerrilha. Além da questão da segurança e da cooperação da Venezuela para tentar evitar que Chávez dê guarida às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Santos vai tratar do comércio entre os dois países.

Quarta-feira, 11 de agosto – Após mais de quatro horas de reunião, os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e da Venezuela, Hugo Chávez, anunciaram o restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países após um encontro na cidade colombiana de Santa Marta. Chávez havia cortado as relações em 22 de julho, após a Colômbia denunciar a presença de guerrilheiros colombianos em território venezuelano. “É algo que temos de celebrar”, disse Santos. “Decidimos virar a pagina e pensar no futuro de nossos povos e países.” Chávez também estava exultante. “Como diria Bolívar, colocamos a pedra fundamental em nossa nova relação”, respondeu o venezuelano.

Quinta-feira, 12 de agosto – A mudança radical no discurso do presidente venezuelano, Hugo Chávez, em relação à Colômbia não foi movida apenas por um desejo de paz. A recessão na economia local, a proximidade das eleições legislativas e a forte pressão internacional levaram Chávez a ceder no encontro com seu colega colombiano, Juan Manuel Santos, terça-feira, em Santa Marta, segundo analistas ouvidos pelo Estado. Depois de ter congelado as relações com a Colômbia, em julho de 2008, e rompido os laços diplomáticos, um ano depois, Chávez surpreendeu ao dizer, na terça-feira, que estava relançando “a pedra fundamental da relação entre os dois países”, após uma conversa de quatro horas com Santos.

Sexta-feira, 13 de agosto – Menos de uma semana depois da posse do presidente Juan Manuel Santos, a Colômbia foi atingida por um atentado a bomba contra o prédio onde ficam a Rádio Caracol e a sede local da agência EFE, no centro de Bogotá. O ataque – que deixou 18 feridos, mas não provocou mortes – esfriou as esperanças de trégua imediata no conflito que castiga os colombianos há 46 anos. De acordo com a polícia, um Chevrolet Swift carregado com 50 quilos de explosivos foi detonado por celular diante do edifício de 12 andares, às 5h30 (7h30 em Brasília).

Sábado, 14 de agosto – Após anos de adiamentos, a Rússia começará a abastecer com urânio o reator da usina nuclear de Bushehr, no sul do Irã. O processo, que levará de duas a três semanas para ser concluído, é um passo-chave para a ativação do reator, apesar de que ele ainda não será considerado operacional.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.