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A semana em sete notícias

Redação Internacional

11 de setembro de 2010 | 16h00

Confira os destaques do noticiário na semana que passou:

Domingo, 5 de setembro – Apesar de o esquema ser do conhecimento de boa parte da população das cidades do leste de Minas Gerais, a polícia admite ter grande dificuldade para capturar e enquadrar como criminosos agenciadores locais da rede de emigração clandestina que causou a morte de pelo menos dois brasileiros há duas semanas no México, perto da fronteira com os Estados Unidos. Protegido principalmente pelo silêncio de quem os contrata – seja por medo de represálias ou pelo desejo de usar o “serviço” –, o esquema enriquece até mesmo prefeitos e conhecidos empresários dos municípios, que atuam como “cônsules” – nome pelo qual os agenciadores das viagens clandestinas são conhecidos. O modo de operação da rede está envolvido em uma lista de crimes como assassinatos, sequestros, extorsões, corrupção e falsificação de documentos, entre outros. E lucra alto em cima dos que pagam caro pelo sonho de “fazer a América”.

Segunda-feira, 6 de setembro – O mais importante grupo independentista em atividade na Europa Ocidental, Pátria Basca e Liberdade (ETA), anunciou um cessar-fogo que, respeitado, representará o fim de mais de 50 anos de luta sangrenta pela separação da Espanha. A declaração suscitou cautela na Espanha e na França porque não faz exigências, não fala em processo de paz, nem menciona diretamente a deposição das armas. O anúncio foi feito em um vídeo e um texto enviados à emissora de TV britânica BBC e ao jornal espanhol Gara. Nas imagens, dois homens e uma mulher encapuzados – praxe nos anúncios do grupo – comunicam: “A ETA faz saber que há alguns meses tomou a decisão de não levar a cabo ações armadas ofensivas. A ETA reafirma seu compromisso com uma solução democrática para que, por meio do diálogo e da negociação, nós, cidadãos bascos, possamos decidir nosso futuro de forma livre e democrática.”

Terça-feira, 7 de setembro – Desafiando as sanções unilaterais e do Conselho de Segurança da ONU, o Irã acelerou seu programa nuclear, impediu a entrada de dois inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em suas instalações atômicas e negou o acesso a informações que determinariam se o real propósito do programa de Teerã é produzir a bomba. Segundo um relatório da AIEA, entre 9 de fevereiro e 20 de agosto, o Irã produziu 22 quilos de urânio enriquecido a 20% em sua usina de Natanz. No passado, o Irã havia enriquecido urânio apenas a 3,5% – o grau necessário para a produção de energia. O governo iraniano alega que começou a enriquecer urânio a 20% em fevereiro para produzir combustível para seu reator de pesquisas médicas.

Quarta-feira, 8 de setembro – Com uma força jamais vista no governo de Nicolas Sarkozy, que assumiu em 2007, os franceses foram às ruas para protestar contra a reforma da previdência, a corrupção e a política migratória. Entre 1,1 milhão de pessoas, segundo a polícia, e 2,5 milhões, conforme os sindicatos, cruzaram os braços nas áreas de educação, transporte e serviços públicos.

Quinta-feira, 9 de setembro – O líder cubano Fidel Castro, de 84 anos, admitiu que o modelo econômico de Cuba “não funciona mais” e, num mea culpa histórico, afirmou que sua posição na Crise dos Mísseis de 1962, que quase levou os Estados Unidos e a ex-União Soviética a um conflito nuclear, no auge da Guerra Fria, “não valeu nada a pena”. As declarações foram publicadas ontem no blog do jornalista americano Jeffrey Goldberg, da revista americana Atlantic Monthly. “O modelo cubano não funciona mais nem para nós”, disse Fidel ao jornalista, ao responder a uma questão sobre se o modelo econômico da ilha ainda poderia ser exportado.

Sexta-feira, 10 de setembro – Horas depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, sair a público e assumir a condição de comandante-chefe das Forças Armadas para condenar seu plano de queimar exemplares do Alcorão no nono aniversário do 11 de Setembro, o obscuro pastor evangélico Terry Jones anunciou ter desistido de seu “protesto”. Mas, à noite, ele afirmou que tinha suspenso temporariamente a medida, não cancelado. Ampliando a confusão, Jones ameaçou rever sua decisão após dizer que haviam mentido para ele. O reverendo tinha anunciado durante o dia diante de sua igreja, em Gainesville, Flórida, que desistira da manifestação como parte de um acordo com autoridades muçulmanas dos EUA para evitar que uma mesquita seja construída perto de onde estavam as Torres Gêmeas. No entanto, o imã Feisal Abdul Rauf, que coordena o projeto do centro islâmico em Manhattan, negou ter feito qualquer barganha com o líder evangélico. Ele disse que apenas havia aceitado se reunir no sábado com Jones em Nova York.

Sábado, 11 de setembro – Diante das crescentes manifestações de islamofobia nos EUA, o presidente Barack Obama precisou reforçar publicamente que professa a fé cristã e seu país não está em guerra contra o Islã, mas contra o terrorismo. Em entrevista coletiva, na Casa Branca, Obama condenou atitudes internas de provocação às “paixões de bilhões de muçulmanos”, em referência à proposta de um pastor evangélico da Flórida de queimar exemplares do Alcorão.

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