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A semana em sete notícias

Redação Internacional

25 de setembro de 2010 | 17h00

Leia o que foi notícia na semana que passou:

Domingo, 19 de setembro – Apenas uma semana separa a Venezuela da eleição parlamentar que pode dar novo fôlego ao presidente Hugo Chávez ou precipitar a decadência do venezuelano, que está há 11 anos ininterruptos no poder. Na história recente da América do Sul, apenas dois líderes governaram por tanto tempo: o chileno Augusto Pinochet (1973-1990) e o paraguaio Alfredo Stroessner (1954-1989) – dois ditadores. Mais do que escolher os 167 novos membros da Assembleia Nacional – única instância parlamentar de um país que extinguiu o Senado, em1999 – os venezuelanos devem mostrar o grau de polarização da vida política do país até as eleições presidenciais de 2012, às quais Chávez já se lançou como candidato, apesar de sua popularidade, que já foi de 75% em 2006, não passar hoje de 44%, segundo o Datanálisis.

Segunda-feira, 20 de setembro – A China suspendeu os contatos de alto nível com o Japão e prometeu adotar duras represálias após um tribunal japonês estender por dez dias a detenção de um capitão chinês, cujo navio colidiu com dois barcos da Guarda Costeira japonesa perto de ilhas disputadas pelos dois países. A medida indica que a China está disposta a agir de modo duro com seus rivais asiáticos nas disputas territoriais.

Terça-feira, 21 de setembro – El Diario, principal jornal de Ciudad Juárez, cidade mexicana na fronteira com os EUA, publicou no domingo editorial pedindo uma trégua aos grupos criminosos que disputam o controle do tráfico de drogas na região. Num tom entre o desespero e a ironia, o texto sugere aos traficantes que expliquem quais informações podem ser publicadas. Em troca, pede que seus jornalistas não sejam mais assassinados e suas instalações deixem de ser alvo de ataques. No editorial intitulado O que querem de nós?, o jornal reconhece que, no momento, os narcotraficantes são “as autoridades de facto” na cidade de 1,3 milhão de habitantes, que já registrou mais de 2 mil homicídios este ano.

Quarta-feira, 22 de setembro – Desde que o presidente mexicano, Felipe Calderón, declarou guerra aos cartéis, em dezembro de 2006, 6,5 mil pessoas morreram em Ciudad Juárez, na fronteira com os EUA. Nos últimos três anos, 230 mil deixaram a cidade, 20 mil casas foram abandonadas e 10 mil crianças ficaram órfãs. No meio do fogo cruzado estão dezenas de jornalistas que relatam o cotidiano de violência. Na cidade mais perigosa do mundo, o mero exercício da profissão tornou-se um risco mortal. “São 23h50. Acabei de relatar dez crimes em menos de seis horas. Durante todo o dia morreram 15 pessoas. Na maioria dos casos, cheguei antes das forças da ordem. Para conseguir, escutei os diálogos truncados do rádio da polícia, que é constantemente monitorado por jornalistas”, escreve Judith Torrea, jornalista freelancer, numa premiada reportagem sobre a violência em Ciudad Juárez.

Quinta-feira, 23 de setembro – O chanceler brasileiro, Celso Amorim disse, em Nova York, que o Brasil apoia uma iniciativa de Rússia, Índia e China para extrair das Nações Unidas uma condenação a qualquer sanção unilateral ao Irã. Amorim salientou, entretanto, que a ideia de proteger os iranianos de medidas que não sejam as aprovadas pela ONU – prática dos EUA e da Europa – não partiu do Brasil. A agência de notícias Reuters publicou na terça-feira à noite uma entrevista com Amorim, na qual o chanceler afirmou que os Brics – Brasil, Rússia, Índia e China –, em reunião naquela manhã, haviam decidido propor à Assembleia-Geral da ONU um projeto de resolução proibindo sanções unilaterais contra países cujos casos estão sendo discutidos no Conselho de Segurança.

Sexta-feira, 24 de setembro – O chefe militar da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Jorge Briceño, conhecido como “Mono Jojoy”, foi morto na quarta-feira à noite em um bombardeio contra um acampamento do grupo rebelde na região de Macarena, no Departamento de Meta, informou o ministro da Defesa, Rodrigo Rivera. A ação foi considerada pelo governo o principal golpe contra a guerrilha na história. A morte de um dos comandantes das Farc, e um dos líderes considerados mais radicais e sanguinários, pode acelerar o desmantelamento do grupo rebelde mais antigo do continente e forçá-lo a buscar um diálogo de paz, disseram analistas.

Sábado, 25 de setembro – Um dia depois da morte de seu chefe militar, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) pediram “uma oportunidade para a paz, não para a rendição”. A declaração – a primeira desde que Jorge Briceño, o “Mono Jojoy”, foi morto num ataque do Exército colombiano – é vista como um apelo ao diálogo depois de uma baixa significativa, mas também como um alerta de que qualquer acordo excluiria o termo “rendição”.

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