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A semana em sete notícias

Redação Internacional

16 de outubro de 2010 | 17h00

Veja abaixo os destaques da semana:

Domingo, 10 de outubro – Na periferia de Sófia, um cortiço vem sendo alvo de uma preocupação especial por parte dos moradores do bairro. É o edifício para onde foi levada parte dos ciganos expulsos da França nos últimos meses. De volta a seu país de origem, eles seguem discriminados e marginalizados. Seus novos vizinhos chegaram a fazer um protesto, alertando que não queriam se transformar em um gueto de ciganos. Muitos dos que foram deportados – para Bulgária e Romênia – pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, dizem que só esperam alguns meses antes de voltar a tomar a estrada na direção da Europa Ocidental, em busca de melhores serviços públicos e empregos mais rentáveis. Entre 10 milhões e 12 milhões de ciganos vivem pela Europa, a grande maioria na Romênia e Bulgária. Uma pesquisa de opinião feita na capital búlgara, Sófia, mostrou que 45% dos entrevistados apoiaram a decisão de Sarkozy de expulsar os ciganos. Só não querem que a expulsão signifique que essa população acabe em seu quintal.

Segunda-feira, 11 de outubro – Os técnicos devem concluir às 9 horas (mesmo horário de Brasília) o revestimento do túnel pelo qual serão resgatados os 33 mineiros presos na mina San José desde 5 de agosto. Segundo o ministro das Minas do Chile, Laurence Golborne, serão revestidos apenas os primeiros 90 metros do túnel com tubos de aço. Com isso, o resgate deve começar na terça-feira ou na quarta-feira, mas pode atrasar ou adiantar, como alertou o ministro. Os mineiros serão transportados pela cápsula Fênix, de 4 metros de altura e 54 centímetros de diâmetro, que vai içá-los do refúgio, que fica a 680 metros de profundidade, até a superfície. “Para cada mineiro transportado, será como subir num elevador da base até o topo do Pão de Açúcar”, comparou o ministro da Saúde, Jaime Mañalich.

Terça-feira, 12 de outubro – O resgate dos 33 mineiros presos na mina San José vai começar, no máximo, à meia-noite de hoje, anunciou o ministro de Minas do Chile, Laurence Golborne. Em reunião com parentes dos mineiros presos desde 5 de agosto, autoridades afirmaram que o início do salvamento pode ser adiantado, e começar no fim da tarde. Isso coincidiria com a chegada do presidente chileno, Sebastián Piñera, que apressa sua volta do Equador. O resgate vai começar com testes com paramédicos e mineiros, que serão baixados até o refúgio. Os mineiros serão transportados pela cápsula Fênix, de 4 metros de altura e 54 centímetros de diâmetro, que vai içá-los dos quase 700 metros de profundidade até a superfície. A cápsula pode subir a uma velocidade de cerca de 1 metro por segundo e, portanto, o trajeto até o topo levaria de 12 a 15 minutos. Os mineiros podem sentir náuseas, ter problemas de pressão ou desmaios no trajeto.

Quarta-feira, 13 de outubro – Era 0h10 de hoje quando o mineiro Florencio Ávalos emergiu na superfície dentro da cápsula Fênix, depois de 69 dias preso a quase 700 metros de profundidade. Ávalos foi o primeiro dos mineiros a ser resgatado na mina de San José. Ao sair da cápsula, que o içou em 16 minutos, Florencio usava capacete e óculos escuros e foi abraçado pelo filho e pela mulher. Pouco antes, soou uma sirene na mina. O presidente do Chile, Sebastián Piñera, e a primeira-dama, Cecília Morel, chorando, o abraçaram também. No Acampamento Esperança, onde os parentes dos 33 mineiros presos vivem desde que eles foram soterrados, no dia 5 de agosto, explodiram gritos de alegria e bandeiras do Chile em todos os cantos. “Chi-chi-chi le-le-le, mineros de Chile”, gritavam todos. Pela TV, bilhões de espectadores acompanhavam o drama em todo o mundo.

Quinta-feira, 14 de outubro – Eram 17 milhões de chilenos chorando de emoção, buzinando e cantando, quando o último dos 33 mineiros, Luis Urzua, chefe do grupo, foi resgatado às 21h55. Depois de 70 dias presos a quase 700 metros de profundidade, tendo sobrevivido 18 dias com duas colheradas diárias de atum, os sobreviventes foram retirados com sucesso em uma das mais complexas operações de salvamento da história. Na principal praça de Copiapó, cidade mais próxima da mina San José, mais de 3 mil pessoas dançaram, cantaram o hino chileno e choraram quando o presidente do país, Sebastián Piñera, segurando a mão de Urzua, agradeceu aos mineiros. “Estamos orgulhosos dos 33 mineiros que deram um exemplo de companheirismo e solidariedade. Estamos orgulhosos das milhares de pessoas que tornaram possível o resgate de vocês.” Urzua respondeu. “Estou lhe entregando o turno e espero que isto não volte a ocorrer.”

Sexta-feira, 15 de outubro – Menos de 48 horas depois de serem resgatados da mina San José, 3 dos 33 mineiros receberiam alta do hospital de Copiapó e voltariam para suas casas. Centenas de jornalistas se aglomeravam nas duas entradas do centro hospitalar, à espera da saída dos mineiros. Luis Urzua, o líder dos mineiros que foi o último a ser resgatado, contou para o presidente Sebastián Piñera alguns detalhes sobre a vida dos 33 debaixo da terra. “Quando chegou a primeira perfuradora ao nosso refúgio, todos queriam abraçar as brocas. Eram seis da manhã, tínhamos todo um protocolo a cumprir, mas ninguém ligou, só queríamos abraçar a broca”, contou Urzua. Os mineiros ficaram 70 dias presos a quase 700 metros de profundidade, submetidos a uma umidade de 89% e temperatura mínima de 32 graus. Muitos tinham problemas dentários, fungos na pele, e distúrbios psíquicos.

Sábado, 16 de outubro – A tragédia na mina chilena de San José – na qual 33 trabalhadores ficaram soterrados a quase 700 metros de profundidade durante 70 dias – pode se repetir, com consequências fatais, em 15% das 20 mil minas mapeadas do Chile, nas quais mais de 2 mil mineradores estão trabalhando neste momento. O alerta foi feito por alguns dos maiores especialistas em engenharia de mineração e líderes sindicais chilenos entrevistados pelo Estado. “É seguro que essa tragédia pode se repetir num grau ainda muito maior, se as coisas continuarem como estão”, disse o diretor do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade do Chile, Aldo Casali. “Simplesmente não há como fiscalizar todas as pequenas minas que funcionam nos locais mais remotos do país.”

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