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A semana em sete notícias – Terceira Semana de Outubro 2010

Redação Internacional

23 de outubro de 2010 | 17h00

Leia abaixo as notícias internacionais mais importantes da semana:

Domingo, 17 de outubro – A 622 metros de profundidade, a vida dos 33 mineiros na Mina San José, era ainda mais dura do que se imaginava. A temperatura média era de 40˚C e a umidade, de 100%. “Era como um bafo quente que penetrava no corpo, um calor insuportável”, contou o socorrista Manuel González, o primeiro a descer na mina na cápsula Fênix. Foi como passar mais de dois meses numa sauna. Os primeiros 17 dias de isolamento, quando ninguém sabia se eles estavam vivos ou não, foram os mais difíceis. Nas primeiras três horas de 5 de agosto, data do acidente, o deslizamento levantou tanto pó que não se enxergava nada. Assentada a poeira, eles começaram a planejar como iriam sobreviver – com uma colherada de atum e um copinho de leite a cada 12 horas. Depois, o leite estragou e o peixe enlatado começou a escassear. Passaram a comer apenas a cada 24 horas, até chegar a só uma colher de atum a cada 72 horas. A água potável acabou, e passaram a beber a água que estava dentro dos motores do maquinário lá embaixo, cheia de óleo. Quando sobravam apenas três latas de atum, Víctor Segovia disse a José Henríquez, o “pastor” do grupo, que fazia as vezes de líder espiritual: “O que será de nós, só temos mais três latas de atum”. Henríquez respondeu. “Não se preocupe, a caixa de alimentos vai voltar a se encher”, segundo contou Henríquez ao jornal local La Segunda.

Segunda-feira, 18 de outubro – Alguns dos 33 mineiros que passaram 70 dias presos a quase 700 metros de profundidade na Mina San José, no Deserto do Atacama, voltaram ao local da tragédia para participar de uma missa de ação de graças, acompanhados de parentes e curiosos. A cerimônia foi marcada pela emoção e a gratidão dos mineiros salvos, mas também pela revolta de 368 trabalhadores da empresa San Esteban – responsável pela mina onde os 33 foram soterrados – que protestaram contra o não pagamento de seus salários, além de indenizações e outros direitos trabalhistas que ficaram pendentes desde que a empresa foi fechada por decisão da Justiça. “Não somos 33, somos 300. E quem nos tira do buraco? Estamos há 70 dias sem trabalho. Não nos roubem”, diziam alguns dos cartazes erguidos pelos trabalhadores, que tiveram de ser contidos pela polícia.

Terça-feira, 19 de outubro – O vice-presidente da China, Xi Jinping, foi eleito para o segundo posto mais importante do organismo que controla o Exército de Libertação Popular, o que reforçou ainda mais suas credenciais como provável sucessor de Hu Jintao no comando do país, em 2013. O anúncio foi realizado no fim de quatro dias de reunião dos 365 integrantes do Comitê Central do Partido Comunista. Na reunião também foi discutido o Plano Quinquenal que traçará as linhas do desenvolvimento do país no período 2011-2015. A trajetória de Xi repete a do próprio Hu, que foi indicado para a vice-presidência da Comissão Central Militar em 1999, anos antes de assumir o comando do partido, no fim de 2002, e a presidência da China, em março de 2003 – Hu só passou a chefiar a Comissão Militar em 2004.

Quarta-feira, 20 de outubro – A presidente Cristina Kirchner propôs a “nacionalização” dos meios de comunicação, que, na sua visão, não têm atendido aos “interesses nacionais”. Sem deixar transparecer intenções mais claras, contudo, Cristina foi enfática ao ressaltar que não pretende “estatizar” a mídia. Segundo a presidente – que há dois anos alerta constantemente sobre um hipotético “golpe de Estado” preparado pela mídia em conjunto com a oposição –, “seria importante nacionalizar os meios de comunicação para que eles tenham consciência nacional e defendam os interesses do país”. Ela criticou especificamente o fato de haver “tantos microfones e câmeras de TV sobre os problemas do crescimento econômico (de hoje)”, enquanto os veículos da mídia “acobertaram, ignoraram e muitas vezes foram cúmplices da política de entrega e subordinação sem dizer uma só palavra ou tirar uma só foto”.

Quinta-feira, 21 de outubro – Depois de consultar Israel, o governo americano notificou ao Congresso que pretende vender US$ 60 bilhões em armamentos para a Arábia Saudita – num dos maiores negócios da história da indústria bélica americana. A ação tem o objetivo de aumentar o equilíbrio na região, onde cresce a ameaça de um Irã nuclear. Segundo o anúncio conjunto do Pentágono e do Departamento de Estado, os sauditas comprarão 84 novos F-15 da Boeing, 70 helicópteros Apache, 36 aparelhos menores denominados AH-6M Little Bird e 72 helicópteros Black Hawk, entre outros armamentos, além da atualização tecnológica de 70 caças F-15 que Riad já possui.

Sexta-feira, 22 de outubro – Buenos Aires parou por causa dos protestos contra o assassinato de Mariano Ferreyra, militante de 23 anos do Partido Obrero (PO), grupo trotskista. O jovem foi morto a tiros supostamente por sindicalistas ferroviários em uma emboscada na quarta-feira à tarde. Os assassinos integrariam a Confederação Geral do Trabalho (CGT), central sindical aliada à presidente Cristina Kirchner. Outra militante, Elsa Rodríguez, de 56 anos, foi baleada na cabeça e estava em estado grave. O PO acusa o governo Kirchnerde conivência na “selvagem matança”.

Sábado, 23 de outubro – Informações detalhadas sobre como o Irã armou e financiou milícias xiitas iraquianas, quantos civis morreram desde 2004 e de que forma prisioneiros eram sistematicamente torturados no Iraque foram reveladas pela organização independente WikiLeaks. Ao todo, 391.832 documentos secretos narram os bastidores das operações militares dos EUA no Iraque. Segundo as informações divulgadas, pelo menos 109 mil iraquianos morreram na guerra – cifra muito superior à estimada pelo governo americano, que teria maquiado provas para reduzir o número de mortos. Os documentos compilados cobrem o período de janeiro de 2004 a dezembro de 2009.

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