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A Ucrânia vai se separar, diz cantora pop Ruslana Lyzhychko

Redação Internacional

15 de abril de 2014 | 06h00

Por Alessandro Giannini

Para a cantora pop ucraniana Ruslana Lyzhychko, de 40 anos, a divisão de seu país é inevitável, embora ela lamente a recente anexação da Crimeia pela Rússia e veja com preocupação a situação de algumas cidades envolvidas em movimentos separatistas. “Este é o alto preço que temos de pagar pelo nosso futuro europeu”, escreveu ela em uma entrevista por e-mail ao Estado. “Quer dizer, a separação do país.” (assista abaixo a um clipe da cantora)

Ruslana vem ao Brasil essa semana para participar do evento TED x Liberdade, no dia 23, em São Paulo. Ela vai falar de sua participação na Revolução Laranja, em 2004, e nas recentes manifestações da Praça da Independência, em Kiev, em protesto contra o governo de Viktor Yanukovich, por ter ignorado o acordo de inclusão na União Europeia.

Uma das celebridades mais ativas no fim do ano passado nos protestos que transformaram o centro de Kiev em um campo de batalha, Ruslana diz que não quer “nem pensar” no desligamento de Kharkiv e de Dnipropetrovsk, porque são cidades fundamentalmente ucranianas. “Temo que as pessoas em Kharkiv saiam de lá se a cidade se tornar parte da Rússia”, disse ela. “Mas Donetsk e Lugansk são realmente mais russas. Não se trata apenas da língua que falam, mas de perspectiva (como enxergam o mundo) e mentalidade.”

Nascida em Lviv, cidade a oeste da Ucrânia, próxima da fronteira com a Polônia, Ruslana disse que cresceu com o pai falando ucraniano e a mãe, russo. O marido, segundo ela mesma, também fala russo. “Eu realmente não entendo (o que as pessoas querem dizer com) a parte ‘russa’ do país”, disse ela. “Todos os ucranianos sabem falar russo. É normal. Eu falo as duas línguas.”

O tom indignado de Ruslana, que em 2004 ficou famosa por ganhar o Eurovision, aumenta quando ela responde se alguma vez sofreu preconceito dos chamados “russos étnicos” dentro de seu próprio país. “Não estamos numa parte russa da Ucrânia”, disse ela, referindo-se a Kiev. “Kievan Rus era a terra natal do povo eslavo, de língua russa. (…). A Rússia começa em Kievan Rus e não o contrário. Por favor, aprendam um pouco de História. Faço concertos em todas as cidades e regiões da Ucrânia e nunca tive problemas ou me senti desconfortável. As pessoas na parte oriental do país são tão calorosas quanto as da parte ocidental.”

Apesar dos acontecimentos recentes, Ruslana é otimista em relação ao futuro. “A Ucrânia sofre muito com a crise”, disse ela. “Mas as conversas políticas sobre a crise fazem pequenos progressos. Precisamos de tempo para ganharmos consciência e nos tornarmos independentes. Podemos esperar para dentro de um ano o primeiro progresso visível.”

Com o fim das manifestações em Kiev, Ruslana apoiou publicamente a candidatura para presidente do ex-campeão mundial de boxe Vitali Klitschko, que depois abandonou o projeto de concorrer ao cargo nas eleições. Hoje, ela usa cautela. “Realmente não acredito em nenhum líder”, disse. “Nosso poder está em nossa liberdade e democracia. Os ucranianos merecem uma vida melhor, mas os atuais candidatos não estão prontos a abrir mão do poder e do dinheiro e de seus negócios para tornar nossas vidas melhores.”

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