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‘Amigopólio’ de Cristina garante vantagem em publicidade na Argentina

Redação Internacional

12 de maio de 2013 | 21h34

O governo da presidente Cristina Kirchner implementou em fevereiro um congelamento de preços de produtos que foi acompanhado por uma proibição às redes de supermercados e lojas de eletrodomésticos de publicar anúncios com ofertas nos jornais e canais de televisão da cidade de Buenos Aires e da Grande Buenos Aires. No entanto, desde de domingo, 12, a proibição não está sendo mais aplicada para os meios de comunicação.

Ou, quase todos os meios de comunicação. Ficam de fora da suspensão desta proibição os jornais “Clarín”, “La Nación” e “Perfil”. Coincidentemente, estes três periódicos possuem tons críticos com a administração Kirchner. Um deles, o “Clarín”, é considerado “inimigo mortal” pela presidente Cristina.

Os outros meios de comunicação, a grande maioria aliados do governo Kirchner, são ironicamente denominados de “amigopólio” pela oposição, já que constituem em conjunto um grande grupo de mídia, que possui a maioria dos canais e estações de rádio da Argentina. Estes meios foram favorecidos neste fim de semana com a suspensão sobre a proibição de publicidade.

A proibição sobre a publicidade, imposta em fevereiro, não foi escrita, já que o autor da medida, o secretário de comércio interior, Guillermo Moreno (o braço-direito da presidente Cristina na área de medidas sobre a inflação) costuma telefonar pessoalmente aos grandes empresários para avisá-los sobre suas novas medidas.

O argumento de Moreno era que “se os preços estão congelados, não faz falta publicidade para vender mais”. Mas os líderes da oposição contra-argumentaram, afirmando na época que o governo estava implementando uma forma adicional para “estrangular” a mídia não-alinhada com a administração Kirchner.

Desta forma, nos últimos três meses e meio os consumidores portenhos e da Grande Buenos Aires não tiveram acesso às informações sobre os preços dos produtos. Além disso, as empresas jornalísticas ficaram sem uma de suas principais fontes de renda, os anúncios das grandes redes de supermercados.

O Grupo Clarín, com esta medida, perdeu em média mensalmente US$ 5 milhões em faturamento.

Enquanto que em janeiro deste ano (antes do congelamento de preços, aplicado desde o dia 1.º de fevereiro) o “Clarín” contou com 264 de páginas com publicidade de supermercados e lojas de eletrodomésticos, em fevereiro o volume caiu para 61 páginas.

Estimativas divulgadas pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) indicam que a proibição sobre a publicação de publicidade de supermercados provocou uma queda de quase 20% nas receitas dos jornais portenhos.

“Isso, em pouco tempo, poderia comprometer a viabilidade destes meios de comunicação”, disse em abril uma alta fonte de um dos principais matutinos portenhos. “Nos próximos meses, o prejuízo poderia ser equivalente a US$ 80 milhões”, explicou a fonte.

O “Clarín” – o jornal de maior tiragem da Argentina – também foi excluído há pouco tempo da publicidade da maior empresa petrolífera do país, a YPF, expropriada pelo governo Kirchner há quase um ano.

Os analistas destacam que a proibição para os supermercados e lojas de eletrodomésticos de colocar publicidade nos jornais críticos com o governo é uma espécie de mecanismo de censura indireta, já que desfinancia as empresas de mídia, fato que, por tabela, poderia afetar a liberdade de expressão.

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