Anos de esforços diplomáticos para tentar resolver o conflito na Síria
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Anos de esforços diplomáticos para tentar resolver o conflito na Síria

Apesar das muitas negociações de acabar com a guerra, batalha entre rebeldes e tropas leais a Bashar Assad prosseguem; conflito já deixou mais de 6 milhões de deslocados internos

Redação Internacional

14 de março de 2017 | 12h51

Desde o início do conflito na Síria, em 2011, já foram feitas muitas as tentativas diplomáticas de acabar com a guerra, sendo o futuro do presidente Bashar Assad um dos principais empecilhos.

– Iniciativas árabes
Em 2 de novembro de 2011, a Liga Árabe anunciou um acordo sobre um plano de cessar-fogo, a libertação dos detidos e retirada do exército das cidades.

Nenhuma disposição é respeitada. Nas semanas subsequentes, a Liga suspendeu a Síria e aplicou sanções até então inéditas. No final de 2012, o regime sírio fecha a porta a qualquer mediação árabe.

Conflito na Síria entrou em seu 7º ano e não há sinais de solução política (AP Photo/Hassan Ammar)

Conflito na Síria entrou em seu 7º ano e não há sinais de solução política (AP Photo/Hassan Ammar)

– Genebra I
Em 30 de junho de 2012, em Genebra, o chamado “Grupo de Ação sobre a Síria” (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e representantes da Liga Árabe, Turquia e União Europeia) concorda com uma transição política, mas não consegue entrar em acordo sobre como realizá-la.

Washington queria que o acordo, que nunca foi implementado, abrisse o caminho para a era pós-Assad, enquanto Moscou e Pequim, aliados de Damasco, afirmavam que os sírios deveriam decidir o seu futuro.

– Genebra II
Em janeiro de 2014, acontece em Genebra as primeiras negociações entre o regime e a oposição, que terminam sem resultados.

Em 15 de fevereiro, o mediador da ONU, Lakhdar Brahimi, que substituiu Kofi Annan em 2012, põe fim às negociações antes de renunciar por sua vez.

– Reuniões de Viena
Em 30 de outubro de 2015, um mês após o início da intervenção russa para apoiar o regime sírio, 17 países, incluindo Rússia, Estados Unidos, França e, pela primeira vez, o Irã, estudam uma solução política em Viena, sem a presença de representantes sírios.

Mas não há acordo sobre o futuro de Assad. Em 14 de novembro outra reunião termina em fracasso, pelo mesmo motivo. Em 18 de dezembro, pela primeira vez, o Conselho de Segurança da ONU adota uma resolução com um roteiro para uma solução política, com um governo de transição e eleições dentro de 18 meses.

No início de 2016, são realizadas em Genebra três rodadas de negociações indiretas entre o regime e grupos da oposição, supervisionadas pelo enviado da ONU Staffan De Mistura. Mas nenhum consenso é alcançado sobre as modalidades de uma possível transição. No terreno, as violações do cessar-fogo patrocinado pelos Estados Unidos e pela Rússia são recorrentes.

– Rússia, Turquia e Irã assumem
Em 9 de agosto de 2016, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, cujo país apoia os rebeldes, reúne-se com seu colega russo, Vladimir Putin, para selar a reconciliação entre os dois países após uma crise provocada quando a aviação turca derrubou um caça russo na fronteira síria no final de 2015.
Duas semanas depois, a Turquia lança uma operação militar na província de Alepo para combater os extremistas do grupo Estado Islâmico e as milícias curdas.

Em 22 de dezembro, o regime de Assad retoma o controle da cidade de Alepo, ao término de uma operação de retirada de dezenas de milhares de civis e rebeldes graças a um acordo patrocinado pela Rússia, Irã e Turquia.

Os três “padrinhos” assumem as rédeas da crise e impõem em 30 de dezembro um cessar-fogo entre o Exército sírio e grupos rebeldes.

Em 23 e 24 de janeiro de 2017, e, em seguida, em 16 de fevereiro, organizam em Astana – capital do Casaquistão – negociações reunindo pela primeira vez à mesma mesa representantes do regime e uma pequena delegação rebelde.

Mas os encontros, organizados pela primeira vez sem o envolvimento dos Estados Unidos, terminam sem progressos significativos.

– Quarta rodada em Genebra
Os representantes da oposição e do regime se reúnem em 23 de fevereiro em Genebra para uma nova rodada de discussões sob os auspícios da ONU. O processo não avança depois de o governo acusar os rebeldes de “sequestrarem” as negociações. Novas negociações devem acontecer em março e abril. / AFP

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