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Apatia da Europa sobre o Haiti gera onda de críticas internas

Robson Morelli

21 de janeiro de 2010 | 19h18

Por Andrei Netto, correspondente do Estado em Paris

Dez dias após o terremoto que destruiu o Haiti, e depois do desembarque maciço de tropas dos Estados Unidos no país, a apatia da União Europeia na ajuda humanitária virou bate-boca entre líderes políticos. No centro das críticas está a alta representante para Relações Exteriores, Catherine Ashton, acusada por deputados do Parlamento Europeu de ter preferido folgar em Londres a visitar o Haiti, como fizera a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.

O mal-estar em relação à atuação europeia na crise humanitária no Haiti ganhou força, paradoxalmente, depois que o bloco econômico anunciou, na segunda-feira, a ajuda emergencial de € 429 milhões às vítima do terremoto. O valor, mais elevado do que o anunciado pelos Estados Unidos, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial, não serviu para trazer a Europa para as manchetes, nem aumentou a visibilidade do bloco no local da tragédia. Já criticada por sua inexperiência, Catherine Ashton encarnou a vilã depois de justificar sua decisão de não ir a Porto Príncipe: “Não sou nem médica, nem bombeira”, alegou.

Entre os criticados também estão o novo presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso. “O importante não é saber quem vai e quem não vai ao Haiti. O importante é a solidariedade financeira”, argumentou o português, menosprezando o simbolismo da visita política.

Diante da apatia de Bruxelas, França e Espanha – respectivamente colonizadores do país e do continente – agiram por si, mobilizando recursos financeiros e infraestrutura civil e militar. Ontem, José Luis Rodríguez Zapatero, presidente do governo espanhol, pediu mais empenho, durante declaração ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França. “A comunidade internacional aportou uma resposta forte e solidária e a União Europeia deve estar à altura das circunstâncias”, exortou. “Nós devemos mobiliar todas as nossas forças, fazer todos os esforços possíveis e imagináveis para que o Haiti recupere boas condições. É uma exigência para todos nós.”

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