Após protestos, venda de jogo que simula ataque a tiros em escola é suspensa
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Após protestos, venda de jogo que simula ataque a tiros em escola é suspensa

Plataforma de distribuição de jogos online Steam removeu página que permitia compra de 'Active Shooter', que permitiria aos jogadores assumir papel de atirador ou de policiais que intervêm na situação; petição contra game reúne quase 200 mil assinaturas

Redação Internacional

30 Maio 2018 | 11h24

WASHINGTON – Depois de uma série de protestos nos EUA, a Valve Corporation, proprietária da plataforma de distribuição de jogos online Steam, removeu a página na qual era vendido o jogo “Active Shooter”, que simula um ataque a tiros em uma escola.

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A campanha contra o jogo foi liderada por parentes e amigos de estudantes recentemente assassinados por disparos em suas escolas nos Estados Unidos.

Tela do jogo Active Shooter, que permitiria aos usuário assumirem o papel de um atirador em ataque a escola (Reprodução/Steam/Revived Games)

Tela do jogo Active Shooter, que permitiria aos usuário assumirem o papel de um atirador em ataque a escola (Reprodução/Steam/Revived Games)

“Active Shooter” seria disponibilizado ao público em 6 de junho, segundo sua página de apresentação na plataforma Steam. O jogo, que custaria entre 5 e 10 dólares, permitiria aos jogadores assumir o papel de atirador ou dos policiais que intervêm na situação.

Um trecho divulgado do vídeo publicado pela desenvolvedora Revived Games mostra um jogador controlando um membro da SWAT, a polícia de elite americana, que entra em uma escola para enfrentar um atirador, antes de mudar para a perspectiva do agressor, com a ação marcada por uma trilha de heavy metal.

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O curta termina com um rastro de corpos de estudantes que sujam um auditório, enquanto um quadro com estatísticas registra o número de policiais e civis assassinados.

“Desde que meu filho morreu em um ataque a tiros na escola, vi e ouvi muitos horrores nos últimos meses. Esse jogo é um dos piores”, disse Fred Guttenberg, pai de um adolescente vítima de um atirador em fevereiro em uma escola de Parkland, na Flórida.

“Esta empresa deve enfrentar a ira de todos os que se preocupam com a segurança pública e escolar, e isso deveria começar imediatamente”, reagiu Guttenberg no Twitter. “Não compre este jogo para seus filhos ou qualquer outro jogo fabricado por esta companhia”, sentenciou.

Ryan Petty, outro pai que perdeu sua filha em Parkland, disse que era “repugnante” que uma empresa de videogames fizesse uma “apresentação sedutora das tragédias que afetam escolas em todo o país” e tirasse proveito disso.

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Além de permitir aos jogadores eleger bandos, o game conta com modo multijogador e a possibilidade de competir como estudante desarmado que tenta sobreviver.

Bill Nelson, senador da Flórida, afirmou que é “imperdoável” a existência de um jogo deste tipo, mais ainda quando há menos de quatro meses um jovem de 19 anos matou 17 pessoas na escola Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, em um Estado onde as armas são abundantes.

“Qualquer empresa que desenvolva um jogo como este na sequência de uma tragédia tão horrível deveria se envergonhar de si mesma”, afirmou Nelson.

Desde então, os Estados Unidos viveram outro ataque a tiros com mortes em um escola, desta vez no Texas: um estudante de 17 anos, usando as armas de seu pai, matou 10 pessoas em 18 de maio.

Até a manhã desta quarta-feira, mais de 198 mil pessoas assinaram uma petição no site change.org para exigir que a Valve não permitisse mais a venda de “Active Shooter”.

Emma Gonzalez, David Hogg e Jaclyn Corin, jovens sobreviventes do ataque a tiros de Parkland, também juntaram suas vozes a este chamado. Estes três se tornaram militantes muito importantes de um movimento nacional que pede uma legislação sobre armas mais severa no país. / COM AFP

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