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As 10 piores resoluções do Conselho de Segurança da ONU

Cristiano Dias

25 de maio de 2010 | 00h28

A Foreign Policy publicou uma lista com as 10 piores resoluções da história do Conselho de Segurança da ONU.

1. Resolução 1863: Operação de paz na Somália (2009)

Aprovada quatro dias antes da posse de Barack Obama, a resolução foi proposta pelo governo de George W. Bush. A idéia era que os capacetes azuis substituíssem as tropas da Etiópia, que estavam de retirada da Somália. O país estava caindo nas mãos de milícias islâmicas e ninguém estava disposto a enviar soldados para a missão.

2. Resolução 1835: Resolução sobre o nada (2008)

A relação entre EUA e Rússia se deteriorou após a Guerra da Geórgia. No auge da crise, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) concluiu que o Irã não havia interrompido seu programa de enriquecimento de urânio. Moscou não apoiava novas sanções a Teerã, mas a então secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, e o chanceler russo, Serguei Lavrov, resolveram mostrar que a relação entre russos e americanos não era tão ruim: aprovaram uma resolução que reiterava todas as outras anteriores, mas não propunha nada de novo.

3. Resolução 1706: Missão de paz para Darfur (2006)

O texto falava em usar “todos os meios necessários” para proteger os civis de Darfur, mas exigia o consentimento do governo sudanês. O Sudão não deu o sinal verde e a resolução não saiu do papel.

4. Resolução 1530: Condenação do ETA pelo atentado em Madri (2004)

O então premiê da Espanha José Maria Aznar propôs uma resolução condenando o ETA, grupo separatista basco. Mais tarde, descobriu-se que os autores eram da Al-Qaeda.

5. Resolução 1390: Criação da lista do terror (2002)

Aprovada após o 11 de Setembro, estabeleceu uma lista do terror, com o nome de centenas de indivíduos – muitos não tinham nenhuma relação com o terrorismo .

6. Resolução 912: A resolução que nunca houve (1994)

No auge do genocídio em Ruanda, os EUA bloquearam a ampliação da missão de paz da ONU no país, facilitando o genocídio de 800 mil pessoas.

7. Resolução 819: Forjando a tragédia de Srebrenica (1993)

Medida transformou a cidade de Srebrenica em área de segurança protegida pela ONU. Mas a organização não enviou tropas suficientes para proteger o local. A cidade foi cercada e os capacetes azuis foram obrigados a entregar os bósnios muçulmanos de badeja para os sérvios.

8. Resolução 661: Embargo ao petróleo do Iraque (1990)

Era para punir o regime de Saddam Hussein, mas quem pagou foi a população iraquiana, que enfrentou hiperinflação, fome e miséria.

9. Resolução 242: Retirada de Israel dos territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias (1967)

Logo após o conflito, resolução exigia a retirada de Israel, determinação que nunca foi cumprida.

10. Resolução 82: Uso da força contra a Coreia do Norte (1950)

Autorizou a intervenção dos EUA, sob a bandeira da ONU, na Guerra da Coréia. Só foi aprovada porque a União Soviética resolveu boicotar as votações no Conselho de Segurança, para mais tarde descobrir que abstenção não significava veto. Quando Moscou resolveu voltar ao Conselho para impedir a guerra, os EUA aprovaram, na Assembléia Geral, a resolução “Unidos Pela Paz”. Segundo o texto, sempre que houver um impasse que paralise o Conselho de Segurança, cabe à Assembléia Geral agir, inclusive para o uso da força. Para muitos a medida ainda é a maior aberração do sistema jurídico criado pela ONU.

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