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As incógnitas da tentativa de golpe na Turquia

Entenda os detalhes e o contexto da fracassada tentativa de tomada de poder na Turquia, em 15 de julho

Redação Internacional

27 de julho de 2016 | 11h12

– Quem orquestrou o golpe de Estado?
Ancara assegura que o homem que conspirou para o golpe é Fethullah Gülen, um clérigo exilado nos EUA que se tornou inimigo do presidente Recep Tayyip Erdogan. Ele é acusado há anos de infiltrar nas instituições do Estado milhares de simpatizantes, muitos dos quais treinados em suas escolas.

– Quem são os oficiais suspeitos?
O alto comando turco não parece estar envolvido na tentativa de golpe. O chefe do Estado-Maior foi feito refém pelos golpistas. Mas alguns militares de alta patente estão entre as mais de 10 mil pessoas em custódia desde 16 de julho. Mais de 100 generais e almirantes estão detidos, incluindo o ex-chefe da Força Aérea Akin Ozturk, de 64 anos, que nega ter participado na conspiração. A imprensa turca relatou o testemunho de oficiais que reconheceram sua lealdade ao movimento Gülen. Outros o contestam, como o ex-assessor do presidente Erdogan, Ali Yazici.

– Quem são os alvos dos expurgos?
Cerca de 60 mil pessoas, principalmente militares, juízes ou professores, foram presas, suspensas ou demitidas. O presidente Erdogan relatou 10.410 detidos e 4.060 pessoas presas. Nenhum setor escapou ao expurgo: vinte estações de televisão e rádio consideradas próximas de Gülen tiveram suas licenças caçadas, cerca de 200 funcionários do primeiro-ministro foram demitidos, assim como 500 da agência de Assuntos Religiosos. Os funcionários suspeitos estão proibidos de deixar o país enquanto aguardam os resultados do inquérito, assim como os acadêmicos que não podem, até novo aviso, fazer viagens para conferências no exterior.

– O que vai mudar com o estado de emergência?
As autoridades asseguraram que não haveria impacto na vida dos cidadãos. Eles excluíram introduzir medidas de toque de recolher. Na imprensa são mencionadas várias medidas, tais como o estabelecimento de tribunais ad hoc para julgar os amotinados, cujos bens estarão sujeitos a apreensão provisória durante a investigação. Funcionários identificados como fiéis a Gülen serão amortizados sem remuneração, segundo a imprensa. O debate sobre a restauração da pena de morte continua a agitar o país. A pena de morte foi abolida em 2004 e a UE já avisou que o restabelecimento da pena enterraria o processo de adesão ao bloco.

– Por que este golpe de Estado?
Marcado por um real grau de despreparo, o golpe parece ter tomado todos de surpresa. Alguns meios de comunicação viram a tentativa como uma ação desesperada de oficiais antes de uma reorganização do Exército que estava prevista para o início de agosto, a fim de excluir os gulenistas.