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Assassinatos em Toulouse e o ódio racial na França

Redação Internacional

23 de março de 2012 | 08h29

Por Christina Stephano de Queiroz, do estadão.com.br

Um imigrante magrebino aponta uma arma para um policial francês, enquanto este também lhe aponta o revólver. Os companheiros de ambos se paralisam diante da situação que terá, certamente, um final trágico. Quem vai disparar primeiro? Quem merece morrer primeiro?

A cena final do filme “O Ódio” (1995), do diretor Mathieu Kassovitz (premiado em Cannes pelo trabalho e que ficou conhecido após interpretar o galã sonhador de “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”, de 2001), pode resumir, de alguma forma, os temores expressados pelo presidente Nicolas Sarkozy após o anúncio de que o suspeito dos assassinatos na escola judaica da França na última segunda-feira é um francês de origem argelina. Em declaração dada na manhã desta quarta-feira, 21, o presidente pediu que a prisão do suspeito, Mohammed Merah, não incite o ódio racial no país – que abriga as maiores comunidades muçulmanas e judias da Europa. Merah teria dito que cometeu os assassinatos para se vingar das mortes de crianças palestinas e das injustiças cometidas pela França na região.

Em preto e branco, o filme de Kassovitz conta a história de um dia na vida de Vinz (Vincent Cassel), que é judeu, Hubert (Hubert Kounde), que é negro e Said (Saïd Taghmaoui), descendente de árabe. Os três são jovens imigrantes desempregados que vivem na periferia de Paris e decidem se vingar dos ataques da polícia a um colega do bairro, após este ser hospitalizado a estar entre a vida e a morte. Os jovens vagam enfurecidos pelas ruas da vizinhança cometendo pequenos delitos, até que um deles revela que tem um revólver.

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Crédito: reprodução

Legenda: Vincent Cassel em uma das cenas do filme.

Apesar de ser de 1995, o filme, retrato das tensões na periferia de Paris, permanece atual.

Veja trechos do filme:

 

 

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