As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

ASSISTA: Assange conversa com Moazzam Begg, ex-detento de Guantánamo

Redação Internacional

31 de outubro de 2012 | 18h08

No quinto episódio da série ‘O Mundo Amanhã’, Julian Assange entrevista Moazzam Begg, ex-detento de Guantánamo. Desde o início da ofensiva norte-americana, em 2001, na chamada Guerra ao Terror, centenas de prisioneiros foram levados à base de Guantánamo onde permanecem encarcerados sem acusação formal e sem direito à defesa.

O britânico Moazzam Begg, intelectual muçulmano detido sob suspeita  de ser integrante da Al-Qaeda, é um deles. Preso em 2002 no Afeganistão, só foi libertado  três anos depois, sob muita pressão do Reino Unido. Jamais foi acusado formalmente de terrorismo.

Ao sair de Guantánamo, Begg juntou-se ao advogado Asim Qureshi – com quem Assange também conversa neste episódio – para fundar aCagepriosioners, organização que defende o direito ao devido processo legal para prisioneiros detidos na  guerra contra o terrorismo. “O que você tem que entender é que, até onde os muçulmanos sabem, eles estão sob ataque em países ao redor do mundo todo. Há centenas de milhares de pessoas morrendo”, diz Asim Qureshi, em entrevista concedida a Julian Assange durante sua prisão domicliar, no interior da Inglaterrada.

“E se você olhar o conceito de jihad no contexto atual, ele diz que, como muçulmanos, temos o direito de nos defendermos. Não tem sentido dizer que as pessoas que estão sendo mortas por ocupações, domínios coloniais, racismo, não devem se defender e devem continuar levando tapas, sendo estupradas…”

Assange pergunta, então, se esta “defesa” significaria resistência militar. “Claro”, responde o advogado, ponderando que as “armas” da Cageprisoners são o lobby e as campanhas.

Para Moazzam Begg, que hoje é um reconhecido defensor de direitos humanos, a grande diferença na guerra ao terror entre as administrações Bush e Obama foi a seguinte: “Eu costumava dizer que Bush era o presidente do governo em que as detenções extrajudiciais estavam acontecendo. Mas o  Obama é o presidente do governo em que as mortes extrajudiciais estão acontecendo. Então, Obama prometeu uma mudança, disse que a mudança tinha chegado à América. E é isso: a mudança é de detenções extrajudiciais para mortes extrajudiciais.”

Assista a entrevista:

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: