Ativista de marcha em Selma sempre defendeu direito dos negros ao voto
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Ativista de marcha em Selma sempre defendeu direito dos negros ao voto

Amelia Boynton Robinson foi uma das 600 pessoas que saíram da Capela Brown dispotas a marchar até Montgomery para exigir o exercício de sua cidadania

Redação Internacional

08 de março de 2016 | 07h00

Amelia Boynton Robinson foi uma das mais importantes ativistas defensora dos direitos civis nos EUA. Figura de grande importância durante a marcha em defesa do direito ao voto na ponte Edmund Pettus, em Selma (Alabama), em março de 1965, ela foi uma das pessoas que sofreu espancamentos durante o evento, que ficou conhecido como Domingo Sangrento.

A ativista estava entre as 600 pessoas que saíram da Capela Brown de Selma dispostas a marchar até Montgomery para exigir o exercício pleno de sua cidadania. O grupo acabou sendo dispersado com gás lacrimogênio e golpes de cassetete da polícia local.

Símbolo das manifestações, Amelia – nascida na Geórgia – sempre defendeu o direito dos negros ao voto e foi a primeira mulher negra a tentar uma vaga na Assembleia do Alabama. Dedicou grande parte de sua vida a campanhas e registro de eleitores afro-americanos nos anos 30. Estudou na Universidade Tuskegee, do Alabama, uma das instituições de ensino superior para negros fundadas após o fim da escravidão.

Amelia pediu a Martin Luther King Jr. que fosse a Selma para mobilizar a comunidade local no movimento pelos direitos civis. Trabalhou na Conferência de Líderes Cristão do Sul e ajudou a planejar a marcha de Selma a Montgomery.

Em 1964, ela foi a primeira afro-americana do Alabama a se candidatar ao Congresso, pelo Partido Democrata. Perdeu a eleição, mas obteve 10% dos votos em uma região onde apenas 2% dos negros eram eleitores registrados.

Quando a lei que decretava o direito de voto aos negros foi assinada, no ano seguinte, pelo então presidente Lyndon Johnson, a ativista foi convidada de honra para a cerimônia.

Em março de 2015, Amelia foi conduzida em sua cadeira de rodas pelo atual presidente Barack Obama durante uma celebração para lembrar a data histórica. Ele atravessou a ponte de mãos dadas com a ativista, que tinha 103 anos.

Em julho de 2015, foi internada após sofrer um AVC. No mês seguinte, Amelia morreu aos 104 anos em Montgomery, Alabama, deixando um legado importante para a história dos negros e dos direitos civis.

 

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