Protagonista de ‘Fauda’ se inspira na própria experiência de ex-agente infiltrado
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Protagonista de ‘Fauda’ se inspira na própria experiência de ex-agente infiltrado

Segundo co-criador e ator, Lior Raz, a série, que aborda o conflito entre judeus e palestinos, mostra que a guerra sempre tem um preço

Redação Internacional

25 Maio 2018 | 17h02

Claudia Müller

O ex-agente do serviço secreto israelense Doron decide voltar à ativa depois de descobrir que Abu Ahmad, apelidado de Panther, está vivo – ao contrário do que todos acreditavam, já que o próprio Doron tinha sido o responsável por sua suposta morte 18 meses atrás. Ao perceber que fora enganado, e que Ahmad está agindo nos bastidores, Doron volta ao Exército para caçar Panther.

Esse é o enredo da série israelense Fauda. Originalmente transmitida por uma emissora de televisão de Israel, o seriado foi comprado pela Netflix e lançou na quinta-feira, 24, sua segunda temporada.

Lior Raz, co-criador e protagonista (interpreta Doron) contou ao Estado, por telefone, que a inspiração para Fauda surgiu de sua própria experiência no Exército, em uma unidade infiltrada, assim como o agente Doron. E também de sua vivência em Israel, onde os conflitos fazem parte da vida dos habitantes da região.

“A mensagem da série é que todos os lados pagam um preço alto pela guerra e ele pode ser psicológico, físico, pode custar sua família, seus filhos, seus amigos”, explica. “Não importa se você está em Israel ou no Afeganistão: quando você luta contra o terror e está em uma zona de guerra, paga esse preço. É assim em todo o mundo”.

Para quem trabalha nessas unidades infiltradas, segundo ele, é o risco de ter de entrar em locais em que ninguém quer entrar, colocando sua vida em perigo para se chegar a uma pessoa. A ideia da criação dessas equipes é justamente evitar bombardeios que podem matar muitos inocentes.

“Para fazer isso, você tem de vencer o medo, apesar de ser assustador estar infiltrado, ficar sozinho em outro território”, conta. “Os militares precisam estar muito concentrados, focados; eles são treinados para serem como cães de combate, e fazer isso tem um custo”. Membros das forças especiais precisam agir como os habitantes do local onde estão infiltrados, rezando, comendo e falando como eles.

Veja o trailer da primeira temporada:

Para Raz, o maior desafio da série foi tentar não representar os personagens de maneira superficial. “Na maioria dos filmes sobre terrorismo, vemos, de um lado, um homem bom, com vida, filhos, amor, enquanto o outro lado é tratado apenas como terrorista”, afirma.

Diante disso, a série tenta humanizar ambos os lados. “Mostramos as famílias e filhos dos dois adversários; mostramos que eles têm amor, sofrem. Porém, nós, os criadores, somos israelenses, já servimos no Exército, a narrativa é a nossa narrativa”.

Muitos terroristas, conta ele, já foram pegos por cometerem erros, como mandar coisas para a família ou tentar encontrá-la. “Temos de entender que, no final, são pessoas, tentamos humanizar os dois, mostrá-los como seres humanos”. A série também é uma criação de Avi Issacharoff, um jornalista especializado em questões palestinas.

O inimigo de Doron na série, Abu Ahmad, é membro do Hamas, o grupo político que controla a Faixa de Gaza e conta com um braço armado, considerado terrorista por Israel. Apesar dessa temática conflituosa, de um membro do Exército israelense infiltrado em território palestino na procura por Panther, Raz garante que a receptividade do público tem sido boa, tanto de israelenses quanto palestinos.

“Muitos árabes estão assistindo à série e gostando, porque nós falamos em árabe, honrando o idioma. Os palestinos também gostam porque podem fazer relações com a narrativa deles”, conta. “Recebo muitas mensagens de árabes que sentem compaixão pelo lado israelense e também recebo mensagens de israelenses que sentem compaixão pelo palestino, e isso é maravilhoso”.

Raz afirma que uma das coisas boas que a série trouxe foi incentivar os debates em torno da narrativa. “As pessoas tentam entender o lado do outro porque veem como o outro vive, o que pensa, e essa série dá a oportunidade de falar”.

Entretanto, ele admite não saber se existe solução para o conflito. “Quisemos mostrar que não importa se quem mata é israelense ou palestino, se é em território de um, de outro: esse círculo de vingança continua e provavelmente não terá fim”. Essa busca por revanche também estará na segunda temporada da série, que foi lançada na quinta-feira, 24, pela Netflix.

O fato de a série ter sido comprada surpreende o protagonista. “Achava que só minha mãe e meu pai assistiriam, mas é maravilhoso que outros países queiram conhecer esse conflito”.

Veja o trailer da segunda temporada:

Para quem vive longe da região, o significado do nome Fauda pode permanecer misterioso durante os 12 episódios da primeira temporada. Raz explica que a palavra significa “caos” em árabe e começou a ser usada no fim dos anos 80, começo dos 90, durante a Primeira Intifada – revolta palestina contra a ocupação israelense.

Para os árabes, fauda significa “vamos demonstrar”. Já as unidades infiltradas do Exército de Israel usam-na como um código para avisar os outros agentes que foram descobertos e, então, pedir socorro.

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