As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

BASTIDORES: Independência da AIEA é posta em dúvida

Redação Internacional

09 de novembro de 2011 | 06h43

Por Denise Chrispim Marin, correspondente em Washington

Mal foi tornado público, ainda extraoficialmente, em Viena, o mais recente

Documento

da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tem sua credibilidade posta em xeque. Em especial, pelas suspeitas levantadas após uma visita aos Estados Unidos feita pelo diretor-geral da agência, o japonês Yukiya Amano, menos de duas semanas antes da divulgação do documento. Entre os membros da AIEA, Amano já era visto como um líder menos independente de Washington do que seu antecessor, o egípcio Mohamed ElBaradei.

Não à toa, a primeira reação dos 35 membros do conselho dessa agência das Nações Unidas foi de cautela ao receber o relatório. O documento destaca haver “sérias preocupações” na AIEA com os testes nucleares realizados pelo Irã, apontados como “fortes indicações de possível desenvolvimento de armas nucleares”. Mas não chegou a apresentar uma conclusão cabal e comprovada sobre a construção da bomba atômica iraniana.

Esse conjunto de dúvidas, segundo um observador dessa questão no governo brasileiro, dificilmente permitirá a adoção de novas e mais duras sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra o Irã, como pretendem os EUA. Com interesses econômicos diretos, a Rússia e a China pressionaram Amano a relaxar o tom do relatório e, no Conselho de Segurança, tendem a vetar qualquer nova proposta de resolução com novas retaliações.

O relatório, mesmo cercado de dúvidas, trará pressões adicionais sobre Teerã e seu programa nuclear. Mas também levará os EUA a tourear Israel, país considerado hoje o maior desafio de Washington na esfera internacional. A ameaça de um ataque militar israelense às plantas nucleares do Irã tem estado presente nas últimas semanas. Pode tornar-se realidade e arrastar os EUA, num momento de restrição fiscal, a uma nova aventura militar no Oriente Médio, com abrangência muito mais ampla do que os conflitos no Iraque e no Afeganistão.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.