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Blogueira e dissidente cubana Yoani Sánchez participa de debate no ‘Estado’

Redação Internacional

20 de fevereiro de 2013 | 18h53

A blogueira e dissidente cubana e colunista do Estado participou nesta quinta-feira, 21, de um debate com a presença dos jornalistas do jornal O Estado de S. Paulo Roberto Lameirinhas, editor de Internacional, e Lourival Sant´Anna, repórter especial e colunista da Rádio Estadão.

Leia os principais pontos do debate “Conversa com Yoani”:

11:25 – O evento é encerrado com Yoani sendo aplaudida pelo público em pé.

11:24 – “Acredito que todos têm o direito de protestar, a favor ou contra alguma coisa ou alguém, inclusive com relação a mim. Mas, quando se ultrapassa o limite da liberdade de expressão, do protesto, para a violência verbal e até a violência física, isso não é democracia, mas sim fanatismo”, afirma a blogueira sobre os protestos com os quais foi recebida ao chegar ao Brasil.

11:22 – Yoani é questionada sobre as relações entre Brasil e Cuba e diz que houve melhora,” principalmente nos últimos governos de Lua e Dilma. Principalmente na questão econômica. Estamos ampliando um porto com ajuda de capital brasileiro. Isso me parece bom, que o Brasil está ajudando e apoiando Cuba, mas acho que faltou dureza ou franqueza ao tratar a questão dos direitos humanos na ilha. No caso do Brasil, houve omissão. Não sou diplomata, mas recomendaria um posicionamento mais firme porque o povo não esquece.”

11:18 – “Durante décadas, o mercado imobiliário era difícil. Isso é importante na ‘reforma raulista’. Quando o governo vê que não pode impedir algo, legaliza isso. A compra e venda de carros dinamizou esses setores. Começou então a ocorrer um fenômeno de redistribuição das cidades por isso começamos a ver a diferença social. São medidas positivas, mas não são o suficiente”, diz a blogueira sobre a abertura nessas áreas em Cuba.

11:16 – Yoani é questionada sobre a organização dos Comitê da Revolução? “Isso perdeu muita força. Quando eu era pequena eles eram fortes e tinham coisas boas e ruins. Em pequenas cidades ainda têm uma certa força de controle, mas nas grandes cidades perderam força.”

11:14 – “O sistema está montado de uma maneira que se alguém te explica como funciona, você vai dizer que há democracia em Cuba. Mas isso está cheio de ‘pegadinhas'”. Yoani explica como funciona o sistema eleitoral em Cuba, no qual os candidatos precisam passar por diversos “filtros”. Ela explica que em um primeiro momento, quando vão escolher representantes de um bairro, isso feito por voto e alguns dissidentes têm medo de levantar a mão e se candidatar porque sabem que serão reprimidos. “Uma outra pessoa vai levantar e dizer porque ele não pode ser o representante e pronto, ele está fora.”

11:10 – Yoani é questionada sobre como é a imprensa em Cuba. “É frustrante ler o Granma. Há um esteriótipo de que em Cuba temos uma imprensa livre, não é verdade, temos uma imprensa privada. A imprensa cubana segue uma linha: Cuba é o paraíso e o resto é um inferno…A imprensa tem uma função de trincheira ideológica e não de informação.”

11:02 – O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) pergunta a opinião de Yoani sobre a frase da presidente Dilma Rousseff (PT) de que prefere a o ruído da imprensa livre em uma democracia ao silêncio de uma ditadura. “Essa é uma frase que me encanta. Eu gosto muito porque essa é minha causa de luta, minha vida”, responde a dissidente cubana.

11h – Uma pessoa da plateia pergunta o que Yoani acha que cubanos vivendo fora da ilha podem fazer para ajudar a acelerar uma reforma em Cuba. A blogueira diz que é preciso “denunciar o que acontece, não deixar de olhar para a ilha, ajudar a divulgar e atualizar o que acontece na ilha. E outra coisa: apelar aos organismos internacionais.”

10:58 – “Em Cuba, há muita tendência sobre a questão dos embargos. Nas ruas de Havana, você vai encontrar pessoas que acham necessário manter o bloqueio e outras que acham que o embargo precisa acabar. Eu respeito essas duas opiniões porque as pessoas acham isso, pensando no melhor para Cuba. Pessoas pensam que mantendo o embargo, forçará uma reforma mais rápida e outras acham, como eu, que é preciso acabar com isso.”

10:53 – “Os olhos que estão lendo meu twitter e meu blog são minha proteção contra a repressão.”

10:52 – “Quando se fala em regular os meios (de comunicação) há que ter muito cuidado porque há uma linha tênue entre chamar a responsabilidade dos meios e a censura. É preciso ser muito cuidadoso e acredito que a regulação de meios deve ocorrer a nível de leis, da legalidade e não de governos porque cada governo tem seus interesses”, opina Yoani sobre a regulação da mídia.

10:50 – “Penso que a Cuba do futuro precisa pensar em produção  porque temos um país maravilhoso e esse setor precisa ser potencializado, assim como o turismo, mas com cuidado porque o turismo também traz malefícios.”

10:49 – “Um cubano diria ‘como, terão que aprender com a gente’. Acredito em exemplos pontuais em determinados contextos que são interessantes. O senador Suplicy me explicava sobre a Bolsa Família e achei interessante. Mas modelo a seguir, creio que a Cuba futura”, diz a blogueira ao ser questionada sobre um exemplo de país da América Latina que mais se aproxima de um ideal de governo.

10:46 – Yoani explica que a oposição em Cuba está começando a ser reconhecida dentro de Cuba porque pela primeira vez há uma rede de informações e opositores estão usando o twitter e a internet para divulgarem sua ideias.

10:44 – “No próximo dia 24, Cuba vai escolher o Conselho do Governo e é muito importante saber quem será o primeiro vice-presidente.”

10:43 – “Há a questão do medo. Não é o medo da morte, mas da repressão. Estamos com uma bolsa e olham dentro de sua bolsa para saber se aquilo que está ali dentro está de acordo com o salário que você recebe. Fora isso, as pessoas, principalmente as mais velhas pensam que não poderão mudar o sistema então não fazem muita coisa”, diz Yoani sobre a situação atual em Cuba.

10:40 – “Eu gostaria de saber quem o governo vai culpar sem ser o império americano. Toda vez que falta tomate, é culpa do império, do embargo, sei que sempre haverá um culpado, mas gostaria de saber quem será se não for isso.”

10:38 – A blogueira cubana é questionada pelo jornalista Lourival Sant´Anna sobre uma carta que escreveu ao presidente dos EUA, Barack Obama. Yoani explica que sempre associavam os problemas de Cuba como resultado de um embate entre o país e os EUA, então escreveu para Obama para saber se existia algum plano de ataque e “ele respondeu que não havia nenhum plano disso. Isso me trouxe problemas porque nada pior do que destruir o discurso de enfrentamento.”

10: 34 – “Por um lado não me agrada que tenham cortes energéticos, que falte combustível, mas por outro sei que esse subsídio venezuelano na questão energética nos ajuda, mas nos obriga a manter o mesmo status quo“, diz Yoani sobre o problema energético em Cuba.

10: 31 – “Muitos buscam uma outra forma de sustento. Por exemplo, um cozinheiro que trabalha em um restaurante pode roubar, sim roubar, um pouco de azeite ou algum alimento. Outra coisa que acontece é as pessoas buscarem um trabalho paralelo, como a prostituição.”

10: 30 – “Desde 1993, Cuba trabalha com duas moedas, o que eu considero uma esquizofrenia”, diz Yoani ao ser questionada por Lourival Sant´Anna sobre o cotidiano econômico de Cuba.

10:26 – Yoani elogia a infraestrutura de Cuba, mas diz que ela foi possível pelo subsídio da União Soviética. “Quando o muro de Berlim caiu, isso mudou. Tivemos uma desvalorização, uma queda de qualidade”, explica a blogueira citando os baixos salários no país.

10:23 – Pergunta da plateia: para você o que é o comunismo? Yoani diz que não acredita viver o socialismo em Cuba, mas sim uma forma de capitalismo de Estado.

10:22 – Questionada sobre as diferenças entre os governos de Fidel e Raúl Castro, Yoani cita as reformas. “Apesar de a reforma migratória ser insuficiente, acredito que ela não seria possível no governo de Fidel.”

10:20 – “Quero dizer em primeiro lugar que o governo de Raúl Castro tem um grande problema: ele não foi eleito, herdou o governo pelo sangue, como um reino.”

10: 19 – “Penso que a Cuba de 2015 será uma Cuba bem melhor, inclusiva, mais plural. Terá outros problemas porque os problemas nunca terminam, mas serão problemas que poderão ser contestados pelo povo.”

10:18 – A blogueira agradece o reconhecimento e diz que seu blog é a forma que tem de se expressar em Cuba. Como uma consequência disso, ela diz que passa na rua e é reconhecida pelas pessoas. “A fama é um efeito colateral de meu trabalho.”

10:16 – Lourival Sant´Anna pede que Yoani conte sobre o próprio blog, Generación Y.

10:15 – Sobre o WikiLeaks, a blogueira cubana acredita que a principal função é divulgar documentos. Mas ressalta ue só é possível divulgar documentos de um governo que tenha esses documentos registrados.

10:13 – Yoani: A internet para mim se converteu em um espaço para expressar as ideias, onde todos são iguais. Não importa se você é uma dona de casa ou uma pessoa famosa, você pode acessar a internet e ser uma fonte de informação.

10:10 – Yoani é questionada pelo jornalista Roberto Lameirinhas sobre os fenômenos da internet, como o WikiLeaks

10:05 – Yoani chega ao evento e é recebida sob muitos aplausos

 

Viagem ao Brasil:

Yoani chegou ao Brasil no último dia 18 e participou de debates em Feira de Santana, na Bahia, e em Brasília, onde esteve no Congresso Nacional a convite do PSDB.

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Em algumas situações, como no desembarque no Recife e em Salvador, a blogueira foi recebida por manifestantes, que protestavam contra sua presença no País. Yoani elogiou a liberdade de expressão no Brasil mais de uma vez, ao ser questionada sobre os protestos.

“Levo do Brasil a recordação da pluralidade”, disse a cubana na quarta-feira, em Brasília, após a exibição de um trecho do documentário Conexão Cuba-Honduras, do cineasta Dado Galvão.

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