Cachorros ajudam a reflorestar bosques no Chile que foram devastados por incêndios
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Cachorros ajudam a reflorestar bosques no Chile que foram devastados por incêndios

Cadelas Olivia, Summer e Das espalham diversas sementes enquanto correm, saltam e brincam no terreno para onde são levadas

Redação Internacional

30 de junho de 2017 | 16h03

TALCA, CHILE – Onde antes havia bosques nativos milenares, hoje só há troncos e vegetação queimada. Mas em uma cruzada inédita, três cadelas da raça border collie estão se encarregando de reflorestar zonas devastadas pelos piores incêndios florestais que atingiram o Chile no começo do ano.

Um silêncio sepulcral invade os bosques da região de El Maule, onde em janeiro o fogo silenciou o cantar de diversas aves e os uivos das raposas, que morreram ou fugiram aterrorizados com as chamas. A tragédia destruiu mais de 467 mil hectares de floresta e deixou 11 mortos.

Francisca Torres é dona das cadelas Olivia (esq.), de 1 ano, Das, de 5 anos, e Summer (dir.), de 1 anos (Foto: AFP PHOTO / Martin BERNETTI)

Francisca Torres é dona das cadelas Olivia (esq.), de 1 ano, Das, de 5 anos, e Summer (dir.), de 1 anos (Foto: AFP PHOTO / Martin BERNETTI)

Desde março, as cadelas devolveram esperança à região, graças a seu minucioso trabalho para reflorestar com sementes de árvores nativas e flores. Quando elas germinarem, as aves e os animais selvagens que escaparam do fogo devem voltar à região.

“A parte principal disso é que a fauna possa viver”, afirmou Francisca Torres, dona dos três cães. Ao chegarem no bosque, Das, de 5 anos, Olivia, de 1 ano, e Summer, também de 1 ano, disparam para fora da caminhonete de Francisca rumo ao local que querem reflorestar no dia.

Elas levam consigo junto ao corpo uma espécie de bolsa repleta de sementes que caem no solo através de orifícios enquanto correm, saltam e brincam, sem se dar conta do grande trabalho que estão fazendo.

Quando as embalagens se esvaziam, Francisca, de 32 anos – que também é instrutora de cães -, recompensa suas ajudantes com comida antes de encher de novo as bolsas com sementes. Os animais foram treinados por ela mesma para atender às suas ordens e não atacar nenhum animal silvestre.

As cadelas levam consigo junto ao corpo uma espécie de bolsa repleta de sementes que caem no solo através de orifícios enquanto correm, saltam e brincam (Foto: AFP PHOTO / Martin BERNETTI)

As cadelas levam consigo junto ao corpo uma espécie de bolsa repleta de sementes que caem no solo através de orifícios enquanto correm, saltam e brincam (Foto: AFP PHOTO / Martin BERNETTI)

Segundo Francisca, diretora da Pewos – uma comunidade virtual animal e ecológica com mais de 26 mil membros -, os animais da raça border collie se destacam por sua inteligência, energia e velocidade. Assim, são perfeitos para a tarefa de reflorestamento.

Resultados

A utilização de cachorros para este trabalho é mais proveitosa do que se ele fosse feito por pessoas. Os cães podem correr até 30 km em um dia e carregar 10 kg de sementes. Um ser humano poderia semear uns 3 km em um dia, explica a Pewos.

O grupo está há três meses trabalhando nesta tarefa, semeando 15 bosques da região de El Maule, onde em alguns lugares o pasto já voltou a brotar, além de árvores e videiras.

“Passamos por uns terrenos que já estão completamente verdes, e a verdade é que esse é um trabalho das três: Summer, Olivia e Das”, diz Francisca, que financia grande parte a ação e conta com a ajuda de algumas doações.

A expectativa é que até o fim do ano as sementes tenham germinado, alguns animais retornem aos bosques e o terreno devastado pelas chamas se transforme em pasto para vacas e cavalos, e terrenos de agricultores que foram duramente afetados pelos incêndios.

A Pewos acredita que o trabalho de reflorestamento das cadelas permitirá ao local recuperar em cerca de cinco anos o ecossistema existente antes dos incêndios. / AFP

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