Catalunha: o que se sabe sobre a organização do plebiscito
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Catalunha: o que se sabe sobre a organização do plebiscito

As autoridades catalãs estão determinadas a organizar no domingo um plebiscito de autodeterminação da região, que o governo espanhol faz de tudo para impedir

Redação Internacional

29 Setembro 2017 | 05h15

As cédulas

A Guarda Civil espanhola, que multiplica as operações de busca e apreensão, confiscou cerca de 10 milhões de cédulas de voto, aparentemente desferindo um sério golpe à organização. Por isso, o encarregado das Relações Exteriores da região, Raul Romeva, declarou que poderiam imprimir novas cédulas. “Podemos garantir que tudo o que faz falta para poder votar existe. As cédulas podem ser voltar a ser impressas tantas vezes quanto o necessário, o censo já temos, as urnas estão lá, as seções de votação também”.

Céduloas para o plebiscito. Foto: Samuel Aranda/The New York Times

As urnas
As forças de ordem ainda não as encontraram. Segundo o jornal El Mundo, a Polícia suspeita que tenham sido distribuídas por fábricas de pão e uma grande cadeia de supermercados em seus caminhões, e já estariam nos municípios. Das 948 prefeituras catalãs, 712 (entre elas 5 das 10 cidades mais povoadas da região), anunciaram que participarão da votação ou irão se manter neutras, como Barcelona, Terrassa, Badalona, Sabadell e Reus. Os grandes centros que participam representam 2,3 milhões de habitantes dos 7,5 milhões da Catalunha.

Os centros de votação
A lista de centros não foi publicada. A Procuradoria ordenou na terça-feira que a Polícia regional, os Mossos d’Esquadra, identifique os centros de votação e seus responsáveis, os isole e coloque sob vigilância a partir de sexta-feira até a noite de domingo, e evite que votem a 100 metros do local.  Os Mossos disseram que respeitarão a diretriz com a condição de não gerar um risco importante de perturbação da ordem pública.

Manifestante em local de votação na Universidade de Barcelona. Foto: Francisco Seco/AP

Listas eleitorais
As listas eleitorais deveriam ser transparentes e públicas, mas não foram divulgadas. A lei eleitoral, adotada pela maioria separatista do Parlamento regional em 6 de setembro, mas suspensa pelo Tribunal Constitucional, detalha que os eleitores são 5,5 milhões, “residentes na Catalunha ou no exterior”.

Convocação dos eleitores
Para saber onde devem votar, os eleitores têm de consultar sites onde colocam o número de seu documento de identidade. Essas páginas da internet mudam regularmente porque a Justiça as fecha. Na noite de terça-feira, cerca de 60 foram fechadas. O vice-presidente catalão, Oriol Junqueras, anunciou o lançamento de um canal no aplicativo de mensagens instantâneas Telegram para encontrar os locais de votação.

A comissão eleitoral
Essa comissão de cinco membros e seus delegados provinciais renunciou para evitar multas diárias de entre € 6 mil e € 12 mil impostas pelo Tribunal Constitucional. O Executivo catalão poderia nomeá-lo no último minuto para reduzir o montante das multas.Segundo a Comissão de Veneza, um órgão do Conselho da Europa especializado na democracia por meio do direito, um referendo deve ser organizado por um “órgão imparcial”. Mas a comissão eleitoral foi designada pelo governo separatista e seus membros tinham laços com os independentistas.

Contagem dos votos
De acordo com o El Mundo, a Polícia busca a central de informação que deve recolher os resultados da contagem de votos, que estaria nos arredores de Barcelona.

Governo central espanhol enviou reforço de segurança para Barcelona. Foto: Emilio Morenatti/AP


Segurança

A segurança é uma das questões que mais preocupa moradores e autoridades. Os Mossos consideram que é “mais provável” que o fato de isolar as seções eleitorais provoque “perturbações da ordem pública”. As autoridades catalãs apelam constantemente à calma e ao civismo. Mas para prevenir qualquer eventualidade, o governo espanhol enviou para a região dois terços de seus agentes antidistúrbios e mais de 10 mil agentes das forças de ordem, fora os 16 mil ‘mossos’. / AFP

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