Catalunha, um dos motores econômicos da Espanha
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Catalunha, um dos motores econômicos da Espanha

Região lidera setores como exportação, indústria, pesquisa e turismo do país e está à frente de Madri no PIB nacional - 19% ante 18,9% da capital espanhola; pronto fraco está no endividamento de € 75,4 bilhões, equivalente a 35,2% de tudo que produz

Redação Internacional

27 Setembro 2017 | 13h19

MADRI – A Catalunha, cujos dirigentes defendem a realização de um plebiscito de independência no domingo, 1º, é um dos motores da economia da Espanha, liderando setores como exportação, indústria, pesquisa e turismo, apesar de sua elevada dívida.

Conheça mais números desta região:

– Destaque da economia, ao lado de Madri

A Catalunha representa 19% do PIB espanhol de 2016, competindo diretamente com a capital Madri (18,9%) para ser a região mais rica do país. O PIB per capita figura na quarta posição (€ 28.600 ante uma média de € 24.000 na Espanha), atrás apenas de Madri, do País Basco e de Navarra.

Com 19% do PIB da Espanha, a Catalunha produz a mesma riqueza que a capital, Madri, e é destaque em outras áreas econômicas (AP Photo/Emilio Morenatti)

Com 19% do PIB da Espanha, a Catalunha produz a mesma riqueza que a capital, Madri, e é destaque em outras áreas econômicas (AP Photo/Emilio Morenatti)

A taxa de desemprego, similar à da capital, é bastante inferior ao resto do país: 13,2% no segundo trimestre de 2017 contra 17,2% na média nacional. Em Madri, o índice está em 13%.

– Exportações dinâmicas e grandes empresas

A Catalunha é, de longe, a principal região exportadora da Espanha, com cerca de 25% das vendas do país ao estrangeiro em 2016 e no primeiro trimestre de 2017.

A região atraiu em 2015 cerca de 14% dos investimentos estrangeiros na Espanha, ficando na segunda posição, muito atrás de Madri (64%), mas à frente de todas as demais regiões, segundo dados do Ministério de Economia.

Barcelona reúne, além disso, grande empresas: o grupo têxtil Mango, o terceiro maior banco do país, CaixaBank, o grupo energético Gas Natural, a administradora de estradas Abertis, a empresa de moda e perfumes Puig – proprietária das marcas Nina Ricci, Paco Rabanne e Jean-Paul Gaultier, entre outras.

– Grande ator industrial

O setor agroalimentar é o maior setor industrial da Catalunha em termos de emprego e volume de negócios graças à indústria da carne e, em particular, ao segmento de suínos.

A Catalunha concentra por outro lado metade de toda a produção química da Espanha, com um grande polo em Tarragona. Sua atividade é superior a de certos países europeus, como a Áustria, segundo dados da federação regional do setor.

A região era em 2016 a segunda na Espanha em número de veículos fabricados, com 19% da produção nacional. Nissan e Volkswagen (com sua marca Seat) possuem várias fábricas na área – a Espanha é o segundo maior fabricante europeu de carros na União Europeia (UE), atrás da Alemanha.

Além disso, a Catalunha possui um importante polo logístico.

– Investimentos de ponta

A Catalunha aposta muito nos investimentos, em especial, na área de biociências (genética, neurociências, biologia celular, etc), um setor que representa 7% de seu PIB. Também conta com hospitais de ponta, centros de pesquisa e até um acelerador de partículas, e se apresenta como a primeira região da Europa em número de empresas farmacêuticas por habitante.

As novas tecnologias também estão muito presentes em Barcelona, que a cada ano recebe o congresso mundial de telefonia móvel.

As universidades figuram entre as melhores da Espanha. Das cinco principais do país, segundo ranking internacional, três são catalãs. Também abriga duas importantes escolas de comércio e Barcelona conta com importantes editoras em língua espanhola, como Planeta e Anagrama.

– Primeiro destino turístico do país

Com sua capital Barcelona e com as praias de sua Costa Brava, é a região espanhola que atrai mais turistas estrangeiros.

A tendência se acentuou nos últimos anos. Mais de 18 milhões de pessoas visitaram a Catalunha em 2016, representando praticamente 25% do total de estrangeiros recebidos pelo país.

Seu aeroporto é o segundo mais movimentado da Espanha, depois de Madri. Recebeu em 2016 mais de 44 milhões de passageiros e é muito utilizado por empresas aéreas de baixo custo, que querem criar ali uma plataforma europeia para voos de larga escala com destino ao continente americano.

Por outro lado, o porto de Barcelona é o terceiro mais usado da Espanha em volume de mercadorias, atrás de Algeciras e Valência, mas é um dos mais relevantes da Europa em termos de cruzeiros de viagem.

– Endividamento, ponto fraco

O peso da dívida pública é um dos pontos fracos da Catalunha, já que representa 35,2% de seu PIB, o que faz da região a terceira mais endividada da Espanha em termos relativos no primeiro trimestre de 2017.

Em valor absoluto, a Catalunha é a região mais endividada, com € 75,4 bilhões em empréstimos a serem pagos, segundo dados de março.

A dívida catalã, rebaixada pelas agências de risco para a categoria especulativa, impede que o governo regional se financie diretamente nos mercados, dependendo de empréstimos do governo central.

– Impacto econômico da independência

O debate é apaixonado entre os simpatizantes e os detratores da independência catalã, que muitas vezes usam metodologias e hipóteses diferentes para sustentar seus números.

Segundo o ministro espanhol de Economia, Luis de Guindos, uma Catalunha independente e fora da UE significaria uma queda entre 25% a 30% do PIB da região e uma duplicação do desemprego.

Alguns economistas acreditam no contrário: que o novo Estado se manteria na UE e calculam que seu PIB se manteria estável no curto prazo e aumentaria em cerca de 7% a longo prazo.

O governo catalão também acredita que a região não sofreria um “déficit orçamentário”, com base no fato de que envia mais dinheiro do que recebe do governo central.

O executivo catalão cifra esse déficit (em sua relação com Madri) em cerca de € 16 bilhões (8% do PIB regional) e o governo central, com outra metodologia, em € 10 bilhões (5% do PIB regional). / AFP