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CENÁRIO: Bloco europeu quer ampliar pressão sobre Assad

Redação Internacional

11 de outubro de 2011 | 09h14

*Raf Casert e Malin Rising

A União Europeia está intensificando seus contatos com a emergente oposição síria ao mesmo tempo em que procura ampliar as sanções contra o regime do presidente Bashar Assad, cuja repressão contra manifestantes já matou cerca de 3 mil pessoas.

As autoridades europeias ainda tentam saber se os opositores poderão influir de maneira decisiva na derrubada do regime de Assad. No entanto, segundo os diplomatas do bloco, ainda é muito cedo para se discutir um reconhecimento formal à oposição como representante legítima do povo sírio – como ocorreu com os rebeldes que lutavam contra o ex-ditador líbio Muamar Kadafi. “Acredito que precisamos conhecer melhor os integrantes (da oposição síria) e suas intenções”, disse ontem, em Luxemburgo, o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, durante encontro de chanceleres da UE para discutir a questão.

Pela manhã, o Conselho Nacional Sírio – grupo de militantes da oposição formado recentemente – disse que lutará pela consolidação da democracia num regime pós-Assad. O conselho pediu ainda a entrada de observadores internacionais na Síria para examinar a situação.

Ghied al-Hashmy, um cientista político que participou de uma conferência dos membros da oposição síria na Suécia, disse que o conselho se opõe à intervenção militar. No entanto, ele pediu uma pressão política mais incisiva sobre Damasco, como as sanções econômicas que a UE está aplicando.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, disse que o bloco planeja ampliar sua ação contra a Síria. Segundo ela, será necessária uma terceira rodada de medidas, principalmente depois do discurso “decepcionante” de Assad, no fim de semana, no qual ele criticou a suposta ingerência externa no país. Na semana passada, uma autoridade que pediu anonimato declarou que o maior banco comercial da Síria sofrerá novas sanções.

O Conselho Nacional Sírio teria uma base ampla, que inclui a maioria das principais facções da oposição. Nenhum país ou organização internacional o reconheceu ainda como legítimo representante do povo sírio e, no domingo, o chanceler da Síria, Walid al-Moallem, ameaçou empreender “medidas rigorosas” contra qualquer país que o fizer. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

*SÃO REPÓRTERES DA AP

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