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Cerco à “burca” e à imigração marca nova guinada à direita de Sarkozy

Robson Morelli

26 de janeiro de 2010 | 00h05

Reportagem de Andrei Netto, correspondente do Estado em Paris

Às vésperas de uma nova eleição, desta vez regional, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, voltou a endurecer o discurso contra os símbolos muçulmanos e contra a imigração. A estratégia é aproximar seu partido, a União por um Movimento Popular (UMP, de centro direita), da Frente Nacional, grupo de extrema direita que conta com a simpatia de cerca de 17% do eleitorado francês.

Para tanto, o Palácio do Eliseu promove desde novembro um debate nacional controverso sobre a “identidade francesa”. O objetivo, diz o presidente, é reforçar o sentimento de pertencimento ao país, abalado pelas dificuldades de integração da minoria imigrante.

As discussões regionais, que por vezes tangenciam o preconceito e o racismo, provocam a rejeição da esquerda e até de segmentos da UMP, constrangidos por um discurso que não raro tem matizes xenofóbicas.  Quem encarna a antipatia de parte da opinião pública avessa a essa estratégia, entretanto, não é Sarkozy, mas seu ministro da Imigração, o ex-socialista Eric Besson. É dele a ideia de um dos raros resultados práticos dos fóruns, a criação de um “contrato comum”, que deverá ser assinado por jovens ao completarem 18 anos.

O documento proporá “princípios morais e políticos que constituirão regras e direitos”, afirma Besson, sem precisar os conceitos. “Todo jovem que passar à maioridade, aos 18 anos, vai receber seu título de eleitor e poderá receber também um sermão para assinar, uma carta, algo que o vincule à República”, explicou durante um debate em Marselha.

“Trata-se de algo simbólico.” Simbólico ou não, o contrato é parte da campanha de Sarkozy, que já foi usada em outras duas oportunidades, em 2007, quando de sua vitória nas eleições presidenciais e, a seguir, quando da nova vitória no pleito legislativo que renovou a Assembleia Nacional e o Senado. Com a proximidade das eleições regionais, em 21 e 28 de março, o chefe de Estado volta, mais uma vez, a olhar para o extremo.

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