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Chávez e a direita no Chile

Ricardo Galhardo

19 de janeiro de 2010 | 21h58

O novo presidente chileno, Sebastián Piñera, de centro-direita, diz que quer uma relação de respeito com o venezuelano Hugo Chávez, mas, segundo analistas, não dá para descartar a possibilidade de uma maior polarização na região. Até por conta do estilo dos dois líderes.

Piñera, que foi eleito neste domingo, tem ótimas relações com o também conservador presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, cujo governo está com as relações diplomáticas com a Venezuela congeladas. Além disso, ele faz questão de dizer que, para ele, a Venezuela não é mais uma democracia e tem “profundas diferenças” com o modelo socialista de Chávez.

 “Tenho muitas diferenças com a forma com que estão tratando as questões públicas na Venezuela”, afirmou Piñera, em entrevista à imprensa internacional, um dia depois de vencer o segundo turno das eleições presidenciais. “Quero dizer com muita clareza: essas diferenças são profundas e têm a ver com a forma como se concebe e se pratica a democracia, se concebe o modelo de desenvolvimento econômico de um país e muito mais”, completou.

Depois, para amenizar o discurso, disse que é a favor da “autodeterminação dos povos” e da “não interferência” nos assuntos internos de cada país. Mas como o venezuelano (com o destempero verbal que lhe é característico) não leva desaforo para casa, as chances de um embate também são grandes.

Para complicar, como explica Gilberto Aranda, professor do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, alguns setores da direita chilena tendem a ser um pouco mais nacionalistas que a centro-esquerda.

É esperar para ver como os fóruns regionais vão funcionar agora que os conservadores chegaram ao poder também no Chile.”Não dá para dizer que teremos um eixo de direita porque para isso seria preciso pelo menos três países”, diz Aranda. “Mas Uribe certamente não vai estar mais sozinho na região.”

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