Cidade do México registra maior taxa de homicídios em 16 anos
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Cidade do México registra maior taxa de homicídios em 16 anos

Números divulgados em relatório do Observatório Cidadão da Cidade do México explicam aumento da violência

Redação Internacional

05 Outubro 2016 | 19h03

A capital mexicana registrou no primeiro semestre deste ano a maior taxa de homicídios dede 2000, segundo um relatório do Observatório Cidadão da Cidade do México, uma OnG que expressou preocupação pela possível presença do crime organizado.

No período de janeiro a junho de 2016, 5,06 investigações foram feitas por assassinato a cada 100 mil habitantes, um aumento de 6,94% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o relatório, 51% destes crimes são feitos com armas de fogo e cada investigação pode incluir mais de uma vítima.
Segundo o Observatório, o bairro Cuauhtémoc da capital registrou uma taxa de homicídios de 10,7 investigações a cada 100 mil habitantes, um número superior à taxa nacional de 7,7. “O problema, em termos de violência, se deve, em particular, ao aumento de armas de fogo na Cidade do México”, disse em coletiva de imprensa, Francisco Rivas, diretor da organização.

Rivas não descarta que os cartéis de narcotráfico e crime organizado tenham se deslocado das regiões do interior para a capital, com mais de 8 milhões de habitantes. “Temos escutado as autoridades, tanto federais como locais, dizendo que não há crime organizado na Cidade do México. Não temos elementos suficientes para poder afirmar que sim, há, mas acredito que haja indicadores suficientes para poder dizer que evidentemente algo está acontecendo em termos de criminalidade muito mais complexa do que a criminalidade comum”.

Rivas argumentou que o aeroporto internacional da Cidade do México é o epicentro do tráfico de drogas, armas, contrabando e tráfico de pessoas, que logo são distribuídos pela cidade. “Acho difícil que só se distribua através de pequenos traficantes e que não exista um processo de criminalidade muito mais complexo por trás”.

Nos últimos dez anos, o México registrou cerca de 170 mil mortos e 28 mil desaparecidos. Foto: Henry Romero /Reuters

Por outro lado, em matéria de extorção, a Cidade do México registrou uma taxa de 3,42 a cada 100 mil habitantes, inclusive nos violentos estados de Guerrero (sul), Morelos e México (centro), segundo mesmo relatório.

Os números oficiais a nível nacional também revelam um aumento no número de homicídios, muitos deles ligados à violência do narcotráfico. Entre janeiro e agosto deste ano, registraram-se 14.549 homicídios, contra 12.339 no mesmo período do ano passado, segundo dados do Governo Federal.

Só em agosto, 2.147 homicídios dolosos foram registrados, um aumento de 29% em relação ao mesmo mês em 2015. Desde dezembro de 2006, quando o governo federal lançou um operativo militar antidrogas, uma onda de violência deixou mais de 170 mil mortos e mais de 28 mil desaparecidos no México.
Sequestros
Sequestradores usavam mulheres para atrair vítimas em redes sociais, sequestrá-las, pedir resgate e na maioria dos casos, matá-las, informou a Polícia Federal nesta quarta-feira, após deter o líder do grupo e uma de suas integrantes.

Os criminosos foram capturados no município de Coatzacoalcos, no estado de Veracruz, ao leste do país, onde são apontados em ao menos mais doze sequestros, disse à imprensa Omar Garcia Harfuch, chefe da divisão de investigação da Polícia Federal. “O modo de operação deles consistia em utilizar mulheres membros da organização para atrair as vítimas, por meio das redes sociais e marcar encontros em diversos lugares. Uma vez que se apresentavam, eram abordados por outros integrantes”, disse.

Este grupo de sequestradores se caracteriza “pelo seu alto grau de violência já que uma vez entregue o dinheiro para libertar as vítimas, na maioria dos casos, eles cometiam assassinato”.

Veracruz, na costa do Golfo do México, é considerado um dos distritos mais violentos do país, dada a presença do crime organizado, principalmente de narcotraficantes. Até agosto do ano passado, segundo números do Governo Federal, 867 sequestros haviam sido denunciados, mas organizações civis estimam que a cifra é muito maior, já que muitos casos não são denunciados, ou se tratam de sequestros relâmpagos, quando a vítima é privada de liberdade por um breve tempo, enquanto é levada a sacar dinheiro em caixas eletrônicos.

Em setembro, a espanhola María Villar, que mora no México, sobrinha do presidente da Federação Espanhola de Futebol, foi vítima de um sequestro relâmpago ao pedir um táxi na Cidade do México. Os sequestradores a obrigaram a entregar as senhas de seus cartões bancários para sacar dinheiro e depois decidiram mantê-la cativa e pedir mais dinheiro aos familiares.

Segundo a fiscalização da Cidade do México, os criminosos decidiram privar a vida de Villar e abandoná-la no estado vizinho. Um dos suspeitos foi apreendido e a fiscalização está em busca do outro. /AFP