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Cinco razões para Chávez ganhar e perder a eleição

Redação Internacional

06 de outubro de 2012 | 22h25

Eleições na Venezuela

Cinco razões para Chávez ganhar a eleição

1. Programas sociais. As missões financiadas pelo petróleo – como o Mercal e o Barrio Adentro – tiraram da situação de pobreza absoluta, em 14 anos de chavismo, mais de 2 milhões de venezuelanos. Nessa situação, ainda permanecem cerca de 4,5 milhões, em uma população de 27 milhões.

2. Organização partidária. Desde 2006, após vencer a eleição presidencial, Chávez concentrou as forças que lhe davam apoio político em um único partido, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Com isso, evitou divisões internas e centralizou o controle de sua base.

3. Controle do Estado. Chávez instalou seus partidários em todas as instituições do país, incluindo a eleitoral. Dos cinco juízes do organismo, três são considerados dóceis ao chavismo. Isso permitiu, em 2009, que os chavistas redesenhassem o mapa das representações dos distritos de forma a favorecê-los na distribuição das cadeiras da Assembleia Nacional.

4. Exposição. Com a não renovação da concessão da maior rede de TV privada do país, a Radio Caracas Televisión (RCTV), Chávez deu início à construção de uma rede de mídia estatal da qual se tornou a principal estrela. Além disso, ele convoca rede nacional obrigatória a todas as demais emissoras quando julga necessário.

5. Doença. Desde que Chávez anunciou que tem câncer, em junho do ano passado, a oposição e jornalistas ligados a ela divulgam notícias sem parar de que a expectativa de vida do presidente se conta em dias, não em anos. Ao sobreviver – independentemente de seu real e supersecreto estado de saúde -, Chávez passou a ser visto como o líder que venceu até a uma moléstia mortal.

Cinco razões para Chávez perder a eleição

1. Desgaste. Nenhum chefe de Estado democrático resiste ao desgaste de 14 anos no poder. Levando-se em conta a redundância do discurso chavista, a resistência do líder bolivariano torna-se ainda mais surpreendente. Além disso, pelo menos a metade de suas promessas feitas à população, principalmente em relação à criação de empregos, caíram no vazio.

2. Autoritarismo. O estilo Chávez de governar já há algum tempo vem incomodando alguns setores da sociedade venezuelana. A Lei Habilitante, dispositivo constitucional que permite ao presidente governar por decreto, deu ao líder bolivariano poderes sem limites para expropriar e nacionalizar grandes empresas, substituindo-as por estatais pouco eficazes.

3. Ajuda ao exterior. Na visão do venezuelano médio, a distribuição do petróleo a preços subsidiados para países como Cuba e Nicarágua significa uma grande sangria dos recursos naturais do país. Além disso, o impasse ideológico com os Estados Unidos e a aproximação com o Irã e com regimes ditatoriais árabes são vistos com reservas por boa parte dos venezuelanos.

4. Infraestrutura. Apesar de possuir uma das maiores reservas de hidrocarbonetos do planeta, a Venezuela passou, nos 14 anos sob o domínio chavista, por uma das maiores crises energéticas de sua história, com blecautes constantes em várias regiões do país. Ao mesmo tempo, a criminalidade explodiu e o sistema de transportes público está à beira do colapso.

5. Economia. Dados não oficiais estimam que a inflação de 2012 deve ficar em torno dos 30%. A política cambial é uma farsa, com a cotação do dólar no paralelo chegando a mais do que o dobro da oficial, e a taxa de desemprego entre as mais altas da região. Na visão da população, o governo é ineficaz na administração da economia e não é capaz de criar postos de trabalho.

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