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Cinco razões para continuar viajando para o Chile

Marcelo de Moraes

16 de março de 2010 | 01h10

O Chile era até o mês passado um dos destinos preferidos dos turistas brasileiros. Mas a tragédia do dia 27 fez com que muitos cancelassem seus planos de esquiar na neve, conhecer o deserto, subir vulcões, remar em corredeiras ou passear pelos bosques do sul do país. A decisão de cancelar as férias é, certamente, prudente. Mas um pouco de informação e ousadia renderiam uma temporada inesquecível para os que acreditam que a vida é mais que prudência. Veja só:
 
1. Aeroporto – O terremoto obrigou o aeroporto internacional de Santiago a funcionar em grandes tendas brancas parecidas com lonas de circo, que foram armadas sobre a pista de pouso e o estacionamento. A mudança tornou mais fácil o acesso, o fluxo de pessoas e o despacho de bagagens. E o improviso parece ter influenciado no humor dos funcionários – todos trabalham ao ar livre e com roupas informais. O aeroporto também aumentou o número de seguranças e pessoal de informação. Curiosamente, a sinalização é mais clara que antes e a espera é muito mais agradável. Para os que não fazem questão de andar em ambiente acarpetado e com ar condicionado, a mudança (provisória) foi para melhor.

2. Devastação – As regiões realmente afetadas pelo terremoto e pelo tsunami foram Maule e Biobío, na costa centro-sul do Chile, onde foi decretado estado de catástrofe. Na capital, Santiago, os danos são quase imperceptíveis. Algumas construções ruíram, outras foram interditadas, mas o funcionamento da cidade está perfeito. Santiago é uma capital arborizada, organizada, humana, com contruções baixas, muitas casas e parques públicos. Nada disso mudou. E os chilenos estão ainda mais atenciosos e receptivos depois do terremoto. Além disso, os destinos mais exóticos e mais procurados – o Deserto do Atacama e as geleiras da Patagônia – estão muito distantes de onde foi o terremoto e o tsunami.

3. Saques – A onda de saques ocorrida depois do terremoto foi restrita às poucas cidades do centro-sul do Chile. Comparada com a violência do Brasil, o vandalismo chileno foi acanhado, breve, espontâneo e amador; favorecido por uma situação de insegurança excepcional. Quem transitou longe do Maule e do Biobío só percebeu que houve saques porque a imprensa noticiou. O restante do país está tão seguro quanto sempre foi.

4. Réplicas – Acontecem. Todo dia, toda noite. Mas os tremores sempre existiram no Chile. Embora assustem os que não estão acostumados, as réplicas costumavam ser vistas pelos chilenos como um bom sinal: enquanto treme pouco e constantemente, eles sabem que o risco de um terremoto devastador é menor. A preocupação é maior quando a terra está quieta demais. O mesmo acontece com os vulcões – é melhor que estejam ativos e vertendo lava de vez em quando do que quando estão dormindo por muitos anos, mas não estão extintos.

5. Humanidade – Além de tudo o que o Chile continua oferecendo aos seus visitantes, há um fator importante para animar o turismo agora: todo turista que venha ao país estará dando um apoio inestimável à reconstrução. Não só porque trará dinheiro ao país, movimentando uma atividade econômica importante. Mas também porque testemunhará um momento histórico único e verá como o Chile se une para reinventar-se depois de um dos maiores terremotos já registrados na história.

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