Cinco razões para prestar atenção ao caso Kushner
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Cinco razões para prestar atenção ao caso Kushner

Kushner foi o primeiro integrante da família Trump e o mais próximo assessor do presidente a depor a senadores que investigam os esforços da Rússia para prejudicar a candidata democrata e influenciar o resultado da votação

Redação Internacional

25 Julho 2017 | 05h00

1. Ele está muito próximo do presidente

Isto é óbvio. Mas vale a pena salientar porque a Casa Branca é particularmente caótica quanto a se saber quem está dentro ou fora. Kushner é da família e um dos assessores mais próximos do presidente nos últimos dois anos. Sua proximidade é valiosa para os investigadores saberem até onde foi o relacionamento entre Trump e a Rússia.

Jared Kushner fala à imprensa na Casa Branca. Foto: Pablo Martinez Monsivais/AP

2. Ele ocupava uma alta posição na campanha

Uma das muitas atribuições de Kushner na campanha era contatar governos estrangeiros para seu sogro. Era esta a sua função quando, em junho de 2016, Donald Trump Jr. marcou uma reunião com uma advogada russa e um grupo de russos bem conectados com objetivo de prejudicar Hillary Clinton. O fato de ambos participarem do encontro sugere que a campanha de Trump levava a sério a reunião e também que, longe de alertar para algum risco de uma potencial intervenção russa, o time de Trump aceitou a ajuda.

3. Ele é foco de ampla investigação pelo FBI

Na investigação sobre a interferência russa e se a campanha de Trump participou dela, como também potenciais crimes financeiros, Kushner é o único próximo de Trump em quem o conselheiro especial Robert Mueller e sua equipe estão concentrados. Não sabemos exatamente o que o FBI vem investigando no caso de Kushner. Mas sabemos que foi exatamente na época em que ele manteve um encontro com o embaixador russo nos EUA, o diretor da CIA começou a observar que os russos vinham falando em tentar influir ativa e agressivamente na eleição presidencial contra Hillary Clinton.

4. Ele manteve encontros com os russos que não divulgou

Entre as reuniões, há várias com o embaixador russo Serguei Kislyak. Ele diz que foram interações normais entre o responsável por uma campanha e contatos estrangeiros. Mas nenhum dos encontros foi mencionado no formulário de habilitação de segurança, um documento amplo e detalhado de 127 páginas cuja finalidade é verificar se o candidato tem alguma relação comprometedora com governos estrangeiros e, talvez o mais importante, testar a honestidade do postulante. Durante a transição, Kushner propôs que os russos o ajudassem a criar uma linha de comunicação secreta na embaixada russa em Washington, de acordo com informações da inteligência obtidas por autoridades americanas.

5. Ele tem afirmado repetidamente que deseja cooperar

O Congresso ainda tenta ouvir membros importantes da campanha de Trump. O ex-assessor da Segurança Nacional Michael Flynn foi intimado a depor e se recusou. O ex-coordenador de campanha Paul Manafort, que mantém negócios com os russos, entregou centenas de páginas de documentos ao Congresso. Manafort, com Donald Trump Jr., deverão depor esta semana no Congresso a portas fechadas. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO