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Cochilo no ar

Marcelo de Moraes

13 de março de 2010 | 09h16

Para chegar ao coração da tragédia, o enviado João Paulo Charleux pegou carona num avião de carga e num helicóptero

 

Foram duas caronas até chegar no coração da tragédia. A primeira, num avião da Força Aérea usado para reabastecer caças de combate em pleno voo. Com o desastre, o KC-135 foi convertido em avião de carga. A reportagem do ‘Estado’ viajou de Santiago a Concepción espremida no meio de 1,5 tonelada de leite em pó que o presidente boliviano, Evo Morales, doou para as vítimas do terremoto no Chile. O avião nao tem janelas, a escada de acesso é vertical e embutida na parte da frente, os bancos são como pequenos balanços de lona vermelha e, claro, não há serviço de bordo.

O segundo voo, ate Curanilahue, foi a bordo de um enorme helicóptero Blackhawk, que levava dezenas de caixas com material médico para um hospital de campanha. Um dos passageiros ia armado com fuzil, vestindo capacete e forrado de apetrechos de guerra. A aeronave faz um barulho ensurdecedor, mas o fuzileiro disse que, nos últimos dias, só conseguia dormir quando a fuzarca começava.

Um minuto depois de decolar, ele era o único a cochilar, com a cabeca placidamente recostada no ombro do militar que ia ao lado. Com o risco de saques e novas ondas de violência, os militares da linha de frente so descansam quando conseguem tirar os pés do chão. (João Paulo Charleaux)

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