Confira o que contribui para o longo tempo de apuração dos votos peruanos
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Confira o que contribui para o longo tempo de apuração dos votos peruanos

Eleições presidenciais no Peru foram realizadas no domingo. Apesar de estar em sua fase final, apuração avança lentamente

Redação Internacional

09 de junho de 2016 | 11h22

LIMA – Três dias após o segundo turno da eleição presidencial no Peru, população ainda não sabe quem governará o país entre 2016 e 2021. A apuração está em sua fase final e avança lentamente, com uma estreita vantagem a favor do candidato de centro-direita Pedro Pablo Kuczynski. No entanto, por conta da margem apertada, a populista de direita Keiko Fujimori matematicamente ainda pode virar o jogo.

A contagem de votos não é um processo fácil. Confira abaixo os fatores que contribuem para o longo tempo de apuração dos votos peruanos.

Urnas em lugares distantes

Há uma pequena porcentagem de urnas que chega de províncias mais afastadas, e em alguns casos, nem sequer sai de seu lugar de origem, como as urnas que chegam de VRAEM, o vale da selva central do Peru, onde opera o narcotráfico e que também serve de refúgio para os remanescentes do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso.

Uma parte de seu percurso é feito por via fluvial e são necessárias medidas de segurança para trazê-las a Lima.

Também falta chegar uma pequena porcentagem de urnas eleitorais do exterior, que são entregues em Lima pessoalmente pelos próprios cônsules.

100% dos votos

É provável que entre quarta e quinta-feira a apuração chegue a 100%. Mas isso é chamado pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) de urnas processadas. São todas as urnas que chegaram a seus escritórios em estado bruto. Esta contagem é de 99,5%, o mesmo que o chefe do ONPE, Mariano Cucho, informa à imprensa diariamente em seus boletins.

No entanto, o escritório mantém um cálculo paralelo denominado cédulas contabilizadas, que exclui aquelas nas quais há observações ou que foram impugnadas por estarem rasuradas, mal somadas ou mal assinadas. Esta contagem é de 98,5%.

Ou seja, existe cerca de 1% de cédulas contestadas que são enviadas a um tribunal eleitoral para revisão, um processo que não tem prazo, mas que se espera ser resolvido até o fim de semana.

Ganhador

No momento, há uma diferença de aproximadamente 42 mil votos entre Kuczynski e Fujimori e, segundo analistas, o mais provável é que continue dessa forma. Mas 1% das urnas vistas representa cerca de 200 mil votos.

Assim, matematicamente, Keiko poderia virar o jogo. Para que isso aconteça, ela teria que ganhar 70% dos votos que ainda serão contabilizados.

O ex-diretor do Instituto de Estatísticas do Peru, Farid Matuk, deu um exemplo dessa situação. “A atual seleção do Peru pode vencer a Alemanha por 7 a 3 no futebol? Não. Isso não vai acontecer. Matematicamente pode ocorrer, mas não vai”.

Resultado

O vencedor será conhecido, com plena certeza, quando houver 100% das cédulas contabilizadas, ou seja, quando tiver o resultado de todas as urnas vistas.

A outra possibilidade é que antes de chegar à totalidade das cédulas contabilizadas, um dos candidatos alcance um resultado que não possa ser superado. Provavelmente a equipe vencedora fará o anúncio. Também é possível que o candidato derrotado reconheça que já não pode reverter o resultado. /AFP

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