Conheça algumas das maneiras de se perder um Prêmio Nobel
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Conheça algumas das maneiras de se perder um Prêmio Nobel

Embora não possa ser retirada do premiado em nenhuma circunstância, medalha às vezes desaparece em circunstâncias bizarras, trágicas ou espetaculares

Redação Internacional

04 Outubro 2018 | 05h00

É mais fácil perder um Prêmio Nobel do que ganhá-lo. Emprestada para impressionar norueguesas em um bar ou dissolvida para escapar dos nazistas, a preciosa medalha sofreu todo tipo de vicissitudes na centenária história do Nobel.

Embora não possa ser retirada do premiado em nenhuma circunstância, às vezes desaparece em circunstâncias bizarras, trágicas ou espetaculares.

Knut Hamsun

Nobel de Alquimia

Quando os nazistas invadiram a Dinamarca em abril de 1940, o Instituto Niels Bohr se preocupou com o destino das medalhas que os cientistas alemães Max von Laue e James Frank, ganhadores do Prêmio Nobel de Física em 1914 e 1925, respectivamente, haviam guardado lá para evitar que fossem confiscadas.

“No império de Hitler, era quase um pecado capital tirar ouro do país, e como o nome de Laue estava gravado na medalha, se as forças invasoras a tivessem descoberto teria havido consequências muito sérias para ele”, escreveu em 1962 o químico húngaro George de Hevesy, que trabalhava no Instituto.

Ao invés de enterrá-las, De Hevesy dissolveu as duas medalhas de ouro 23 quilates com água régia, um dos poucos reagentes capazes de atacar o nobre metal.

Armazenada em uma prateleira do seu laboratório, a solução laranja passou despercebida para os nazistas.

Uma vez terminada a guerra, George de Hevesy – que ganhou o Nobel em 1943 – provocou a precipitação do ouro em 1950, o que permitiu de novo à Fundação Nobel entregar as medalhas aos dois laureados alemães em 1952.

Em um episódio menos glorioso, Knut Hamsun deu de presente o seu prêmio de Literatura ao ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels em 1943.

O escritor norueguês e simpatizante nazista foi condenado por traição em 1947 e passou o resto de sua vida em instituições mentais. Não se sabe o que aconteceu com sua medalha.

 

Leilão francês

Pelas vicissitudes da vida, doações ou heranças, em alguns casos as medalhas mudaram de mãos e foram leiloadas.

O Prêmio Nobel da Paz (1926) do francês Aristide Briand foi vendido de forma póstuma pela quantia módica de € 12.200 em 2008.

A medalha de James Watson

Seis anos depois, o bilionário russo Alisher Usmanov adquiriu por US$ 4,1 milhões, sem contar as comissões, a medalha de James Watson, um dos descobridores da estrutura do DNA e autor de declarações polêmicas sobre a inteligência dos africanos.

Um negócio próspero para o biólogo americano, porque o comprador decidiu devolver a medalha.

 

Ouros perdidos

Houve também desaparecimentos involuntários.

O Ecomuseu da cidade francesa de Saint-Nazaire não pôde desfrutar durante muito tempo da medalha de Aristide Briand que comprou por pouco dinheiro: foi roubada em 2015 e desde então não se soube nada dela.

Na Índia, ladrões se apoderaram em 2017 da medalha do Prêmio Nobel da Paz Kailash Satyarthi em seu domicílio. Era uma cópia – a verdadeira estava exposta em um museu – e foi rapidamente recuperada.

Menos sorte teve o premiado de Literatura de 1913, Rabindranath Tagore, cuja medalha foi roubada em 2004 e continua em paradeiro desconhecido.

 

Do ouro à ira

Shirin Ebadi

A advogada e defensora dos direitos humanos Shirin Ebadi acusou em 2009 às autoridades iranianas de terem confiscado seus ativos alegando impostos não pagos.

Um cofre onde havia depositado sua medalha do Nobel e sua Legião de Honra foi confiscado para pagar US$ 410.000 de impostos atrasados, afirma ela, embora as autoridades o neguem. Após um escândalo internacional, Shirin Ebadi acabou recuperando seu prêmio.

 

‘Gold’ War

O nome dos laureados está gravado no verso da medalha, exceto nos prêmios da Paz e de Economia, que o carregam no canto. Isto aumenta as possibilidades de erro.

Os premiados com o Nobel de Economia em 1975, o russo Leonid Kantorovish e o americano Tjalling Koopmans, voltaram aos seus países com as medalhas “erradas”, relata o site dos prêmios (www.nobelprize.org).

Como os dois países estavam em plena Guerra Fria, foram necessários quatro anos de esforços diplomáticos para que as medalhas chegassem às mãos de seus verdadeiros proprietários.

 

 

Ouro para conquistar

Pânico em uma noite de dezembro de 1999 na suíte do Grande Hotel em Oslo! A recompensa recém-entregue a Médicos Sem Fronteiras (MSF) desapareceu. Todas as buscas foram infrutíferas e finalmente a polícia foi chamada.

Os agentes a recuperaram no dia seguinte com seu estojo. Acredita-se que alguns membros da delegação francesa de MSF a pegaram emprestada para impressionar as norueguesas nos bares.

“Podia-se ver as marcas de dentes de todos os que quiseram comprovar que a medalha era realmente de ouro puro”, escreveu Morten Rostrup, membro da delegação norueguesa, em um livro publicado em 2006. “Mas teriam precisado de mais do que uma medalha Nobel para conquistá-las”, detalhou. / AFP