Conheça os jovens que pressionam por mudanças nas leis sobre armas nos EUA
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Conheça os jovens que pressionam por mudanças nas leis sobre armas nos EUA

Com idades entre 17 e 18 anos, Cameron Kasky, Emma González, David Hogg e Delaney Tarr lideram o #NeverAgain, campanha que pede o endurecimento na legislação sobre armamento no país

Redação Internacional

22 Fevereiro 2018 | 17h02

MIAMI, ESTADOS UNIDOS – A eloquência dos sobreviventes do massacre na Flórida está ressoando nos ouvidos dos americanos. Cameron Kasky inventou a hashtag “#NeverAgain” (Nunca mais, em tradução livre), David Hogg enfrenta uma campanha de desprestígio online e Emma González comoveu o país com o grito “Que vergonha!”.

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Conheça a seguir os principais autores do movimento contra as armas #NeverAgain que sacode a opinião pública americana.

• Cameron Kasky, de 17 anos

Saia justa. Cameron Kasky (E) questinou o senador Marco Rubio (D) sobre as doações da NRA (Michael Laughlin/South Florida Sun-Sentinel via AP)

Saia justa. Cameron Kasky (E) questinou o senador Marco Rubio (D) sobre as doações da NRA (Michael Laughlin/South Florida Sun-Sentinel via AP)

Comunicativo e engraçado, é descrito pela New Yorker como um “menino do teatro”. O jovem se considera o “palhaço da turma”.

Em 14 de fevereiro, logo depois de sair da escola Marjory Stoneman Douglas em Parkland, na Flórida, Kasky escreveu no Facebook: “Estou a salvo (…) Graças aos guerreiros da Constituição que me protegeram”. Desde então, seu ativismo contra a venda de armas não parou.

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Foi convidado a escrever um editorial na CNN e, dois dias após o massacre, criou a hashtag #NeverAgain, pedindo aos seus amigos que a colocassem nos assuntos mais comentados do Twitter.

Na quarta-feira, confrontou o senador pela Flórida Marco Rubio, que recebeu financiamento do poderoso lobby pró-armas Associação Nacional do Rifle (NRA, em inglês): “Senador, você pode me dizer se você não vai aceitar uma só doação da NRA no futuro?”.

• Emma González, de 18 anos

Durante protesto em Fort Lauderdale, Emma González disse ser vergonhosa a relação dos políticos americanos com o lobby pró-armas (AFP PHOTO / RHONA WISE)

Durante protesto em Fort Lauderdale, Emma González disse ser vergonhosa a relação dos políticos americanos com o lobby pró-armas (AFP PHOTO / RHONA WISE)

“Que vergonha!”, gritou Emma, chorando, durante um protesto em Fort Lauderdale na sexta-feira (16), repreendendo os políticos por não terem cuidado das crianças em troca do dinheiro da NRA. Suas palavras ganharam a atenção nacional e foram decisivas no movimento que estava gerando.

Ela havia escrito o discurso naquele mesmo dia e sua única experiência em ativismo era a “Marcha pela Ciência” no ano passado.

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Depois, em um vídeo em que a jovem – de origem cubana – e seus colegas convocam a “Marcha por nossas vidas” em Washington para o dia 24 de março, declara: “Neste ponto, ou estão conosco, ou estão contra nós”. Agora já tem imitadores que raspam a cabeça para replicar seu estilo.

• David Hogg, de 17 anos

Outro sobrevivente do ataque, David Hogg sofre perseguição de defensores das armas de extrema direita (REUTERS/Jonathan Drake)

Outro sobrevivente do ataque, David Hogg sofre perseguição de defensores das armas de extrema direita (REUTERS/Jonathan Drake)

David quer ser repórter e gosta de sua escola porque tem um estúdio de jornalismo. Estava escondido em um armário durante o massacre, quando seu instinto o levou a filmar entrevistas com os outros estudantes com os quais estava escondido. O vídeo é aterrorizador e se tornou viral.

Deu entrevistas à imprensa e foi recrutado por Cameron Kasky para liderar, com ele e González, o movimento #NeverAgain. Mas está sofrendo o preço da fama. Desde que declarou que seu pai é um agente aposentado do FBI, tem sido atacado por defensores das armas de extrema direita e “trolls” que o perseguem nas redes sociais.

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A teoria da conspiração assinala que o jovem seria um “ator de crise” usado pela Polícia Federal americana para distrair a atenção de sua incapacidade de evitar o massacre de Parkland. “Não sou um ator de crise”, declarou Hogg à CNN. “Sou alguém que teve que ser testemunha disso e viver isso”.

• Delaney Tarr, de 17 anos

Delaney Tarr colocou os legisladores da Flórida contra a parede: 'vamos atrás de cada um de vocês' (EFE/ Colin Abbey)

Delaney Tarr colocou os legisladores da Flórida contra a parede: ‘vamos atrás de cada um de vocês’ (EFE/ Colin Abbey)

Delaney lançou a seguinte afirmação na quarta-feira, quando ameaçou os legisladores em Tallahassee, capital da Flórida: “Estamos fazendo súplicas suficientes (…) Estamos indo atrás de cada um de vocês para exigir que façam algo”.

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Articulada e eloquente, Delaney fez um curso de produção televisiva em seu primeiro ano e em 2017 foi apresentadora de um noticiário da escola. De acordo com o Washington Post, também quer ser jornalista e continuamente entrevista seus colegas nos corredores.

Sempre leva consigo a chave do carro para se esconder dentro dele caso haja um ataque a tiros. No entanto, acabou ficando dentro do edifício da instituição e se protegeu com seus amigos em um armário.

Jaclyn Corin, 17 anos:
Perdeu um amigo e um colega de classe no ataque a tiros que deixou 17 pessoas mortas na Marjory Stoneman Douglas. Meses antes do massacre, ela foi tutora do atirador, Nicolas Cruz, expulso da escola por razões disciplinares. Jaclyn tem 101 mil seguidores no Twitter, onde se descreve como uma estudante secundarista que tenta salvar o país com seus amigos

Alex Wind, 17 anos:
Melhor amigo de Cameron Kasky, participou da criação do Nunca Mais MSD ao lado de outros estudantes. Alex estará na capa da edição da revista Time do dia 2 de abril ao lado de Emma, Cameron, David e Jaclyn. Sobre a foto do grupo aparecerá a palavra “enough” (basta). Alex tem 26,8 mil seguidores no Twitter. O movimento Never Again tem 161 mil. / AFP