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Consequências da saída do Reino Unido da União Europeia

Britânicos terão até dois anos para negociar sua saída do bloco europeu. Confira os possíveis desdobramentos do resultado de um referendo histórico

Redação Internacional

24 Junho 2016 | 15h36

BRUXELAS – O Reino Unido deve encaminhar um pedido de desfiliação da União Europeia (UE) após o referendo de quinta-feira que decidiu pela saída do país do bloco. Após a decisão, britânicos terão dois anos para negociar transição.

Veja abaixo as possíveis consequências do rompimento para o Reino Unido e para a UE:

Política externa

Assim como a França, o Reino Unido é a maior potência da política externa da União Europeia, podendo se vangloriar de um grande contingente militar e laços estreitos com os Estados Unidos. Washington já deixou claro que, após a desfiliação, terá menos interesse em Londres como aliado em razão da percepção da perda de influência.

O Reino Unido não estará mais sujeito às posições conjuntas do bloco, por exemplo em sanções econômicas contra a Rússia, mas continuará sendo membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Justiça e assuntos internos

O Reino Unido tem muitas exceções em questões políticas de justiça e assuntos internos, sobretudo a dispensa da zona de circulação conhecida como Espaço Schengen. Não está claro que restrições os britânicos adotarão para a entrada de estrangeiros. A UE prometeu reagir à altura.

Atualmente, o Reino Unido reconhece mandados de prisão de outros países da UE, compartilha informações entre as polícias, inclusive dados pessoais, e é membro da polícia do bloco, a Europol. Seu envolvimento futuro, incluindo o acesso a bancos de dados do bloco, pode diminuir, o que significará menos cooperação no policiamento e no combate ao crime.

Questão climática

O Reino Unido é o segundo maior emissor de gases de efeito estufa na Europa e suas empresas prestadoras de serviços estão entre os maiores compradores de créditos de carbono do Sistema de Comércio de Emissões (ETS, na sigla em inglês) da UE.

Embora a maioria dos analistas acredite que o Reino Unido irá se manter no esquema de compra de créditos de carbono, o referendo é visto como hostil ao mercado, já que o Reino Unido não conseguirá mais adotar reformas rígidas para elevar o preço.

A desfiliação britânica também irá interromper os planos do bloco de dividir o fardo de seu compromisso com o acordo climático de Paris.

Os defensores do meio ambiente temem ainda que as metas climáticas da UE sejam menos ambiciosas sem a liderança britânica para equilibrar Estados-membros mais relutantes, como a Polônia, que é muito dependente de sua indústria carvoeira.

Relações comerciais

O restante da UE tem um superávit comercial de bens de cerca de 100 bilhões de euros com o Reino Unido, que exporta cerca de 20 bilhões de euros a mais em serviços do que importa, sobretudo em razão dos serviços financeiros.

Os defensores da desfiliação dizem que é do interesse do bloco europeu concordar com um acordo de livre comércio com o Reino Unido se o país deixar o bloco. Mas existe a tendência de o foco se concentrar mais em bens do que em serviços nos acordos de livre comércio.

A Suíça, onde os serviços financeiros representam uma fatia maior do Produto Interno Bruto (PIB) do que no Reino Unido, não tem acesso generalizado aos mercados de serviços financeiros da UE e acumula um déficit no comércio de serviços financeiros com o bloco.

Finanças

As empresas de serviços financeiros sediadas no Reino Unido, de bancos a câmaras de compensação e fundos, podem perder os rentáveis “passaportes” da UE, que lhes permitem vender serviços em todo o bloco de 28 nações com custos baixos e um conjunto único de regras.

O sistema de passaportes contribuiu para tornar Londres um dos maiores centros financeiros do mundo. Alguns bancos americanos, japoneses e não europeus que têm sede na capital britânica já disseram que cogitarão transferir partes de seus negócios dentro da UE.

Economia

O Reino Unido não estará mais sujeito às regras orçamentárias do bloco europeu, que limitam o déficit orçamentário dos governos a 3% do PIB e a dívida pública a 60% dele. O país, portanto, poderá ter qualquer déficit orçamentário que quiser sem ser repreendido pela Comissão Europeia e por outros ministros do bloco.

Os britânicos também estariam livres do monitoramento da Comissão e de recomendações sobre ações futuras. /Reuters

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