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Crise alimenta nacionalistas, diz União Europeia

Redação Internacional

28 de janeiro de 2012 | 23h43

JAMIL CHADE
CORRESPONDENTE / GENEBRA

Para os especialistas em segurança da União Europeia, as dificuldades econômicas têm alimentado atitudes nacionalistas. Levantamentos apontam para um aumento dos incidentes provocados pela direita neonazista. Em 2011, a revelação de que o grupo cometeu uma série de assassinatos de estrangeiros na Alemanha mostrou que, mesmo num país onde esse movimento não é tolerado, jovens ainda encontram espaço e meios para conduzir suas atividades.

Na Áustria, um recente relatório preparado pelo Ministério da Justiça confirmou um aumento de 31% nos incidentes registrados com grupos de extrema direita. No total, registraram-se 1040 casos em 2011, dos quais um terço foi de “violência física”. Outro levantamento feito em novembro pela entidade britânica Demos concluiu que não há dúvidas de que o movimento de extrema direita está em expansão em toda a Europa e os novos integrantes são em sua maioria jovens intimamente ligados à geração da internet.

O levantamento com mais de 10 mil simpatizantes de movimentos extremistas concluiu que o que os une é um forte sentimento nacionalista e anti-imigrantes. Eles em geral têm menos de 30 anos, são desempregados e críticos em relação a seus governos. A maioria não faz parte de um movimento específico, mas nem por isso deixa de ser uma ameaça.

Em dezembro, o italiano Gianluca Cassere saiu de sua casa determinado a “limpar” Florença dos senegaleses que atuam como vendedores ambulantes. Matou três antes de se suicidar. Políticos apressaram-se em garantir que se tratava de um caso isolado. No dia seguinte, um grupo no Facebook foi criado chamado “Gianluca morreu por nós”, com a participação de mais de 6 mil simpatizantes. Em um dos comentários, um simpatizante alertava: “Esse foi só o começo. Vamos limpar a Itália”.

“Não se pode mais falar de casos isolados quando eles são tão numerosos e espalhados por vários países”, alerta o sociólogo Jean Ziegler. Para ele e outros especialistas, partidos políticos devem ser os responsáveis por frear essas tendências, e não usar o sentimento anti-Islã ou nacionalista desse grupo para ganhar votos. Para Ziegler, é justamente essa manipulação que tem levado ao crescimento dos partidos extremistas na França, Suíça, Itália, Áustria, Dinamarca, Holanda e nos países escandinavos.

“Os eventos na Alemanha e em outras regiões provam que a ameaça à segurança não vem apenas de uma fonte”, disse o relatório preparado pela UE, indicando que o continente teria focado de forma exagerada o combate à militância islâmica, deixando aberto o caminho para o radicalismo de outras tendências. Segundo a UE, não significa que a ameaça do islamismo radical tenha desaparecido. “Jovens austríacos estão sendo recrutados por grupos terroristas”, advertiu a ministra do Interior da Áustria, Johanna Miki Leitner.

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