Saúde pública é setor esquecido em Serra Leoa
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Saúde pública é setor esquecido em Serra Leoa

Robson Morelli

29 de dezembro de 2009 | 07h00

Katrina Manson/Reuters

Katrina Manson/Reuters

Serra Leoa é um dos países onde décadas de ajuda humanitária não melhoraram a qualidade de vida da população. A nação é um exemplo de dependência da caridade: 60% dos gastos públicos são cobertos por governos estrangeiros e organizações não-governamentais. Segundo o jornal Los Angeles Times, desde 2006, recebeu mais de US$1 bilhão. Além disso, o sistema de saúde pública é um desastre e o governo, instável. Alguns temem que Serra Leoa possa se tornar outra Somália.

O país tem a segunda maior taxa de mortalidade infantil do mundo, atrás apenas da Angola – até o Afeganistão tem números melhores. A ONU diz que uma em cada oito mulheres morre no parto; nos EUA, a taxa é de 1 em cada 4.800. A expectativa de vida em Serra Leoa é de 41 anos; em Bangladesh, outra nação miserável, de 60 anos.

A década de guerra civil nos anos 90 fez com que as pessoas abandonassem a zona rural para viver na capital, Freetown, e hoje a cidade construída para 250 mil pessoas abriga 10 vezes esse número, a maior parte sem eletricidade e água potável. A corrupção do governo fez crescer a desconfiança dos doadores internacionais. Há alguns meses, uma doação do Japão de 6,2 toneladas de arroz desapareceu assim que chegou no porto.

A crise mais imediata, porém, está na saúde pública. O país tem apenas dois pediatras e quatro obstetras. O salário pago pelo governo para médicos é de cerca de US$ 100 por mês ou US$ 200 para especialistas. Enfermeiras experientes ganham US$ 80. As remunerações são as mais baixas do mundo – médicos na Etiópia, Libéria e no Nepal ganham 4 vezes mais do que isso. (Los Angeles Times)

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