Cronologia: Mais de 70 anos de tensão entre EUA e Coreia do Norte
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Cronologia: Mais de 70 anos de tensão entre EUA e Coreia do Norte

Na quinta-feira, o ditador norte-coreano Kim Jong-un convidou Donald Trump para uma reunião; entenda mais sobre a relação entre os dois países

Redação Internacional

09 Março 2018 | 11h27

WASHINGTON – Os EUA e a Coreia do Norte, que acertaram uma reunião entre seus líderes Donald Trump e Kim Jong-un na quinta-feira 8, têm um longo histórico de tensões, que remonta à Guerra da Coreia. Entenda a relação entre os dois países.

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O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, convidou Donald Trump para uma reunião e o presidente americano aceitou (Foto: AFP PHOTO/KCNA VIA KNS)

O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, convidou Donald Trump para uma reunião e o presidente americano aceitou (Foto: AFP PHOTO/KCNA VIA KNS)

Divisão

Em 1945, a ocupação japonesa da Península da Coreia terminou com sua derrota na 2.ª Guerra. A Coreia foi dividida pelo paralelo 38 entre o Norte, governado por Kim Il-sung com o apoio soviético, e o Sul, protegido pelos EUA.

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Em junho de 1950, a Coreia do Norte invadiu o Sul com o apoio da China e da então União Soviética. Uma coalizão liderada pelos EUA retomou Seul. Em julho de 1953 foi firmado um armistício que jamais se converteu em um acordo de paz.

Crise

Em janeiro de 1968, a Coreia do Norte capturou o USS Pueblo, um “navio espião” americano. Seus 83 tripulantes foram libertados após 11 meses de detenção. Segundo Pyongyang, o navio violou suas águas territoriais, algo que os EUA negaram. Em 1969, a Coreia do Norte derrubou um avião de reconhecimento americano.

Contatos

Em junho de 1994, o ex-presidente americano Jimmy Carter realizou uma inédita viagem à Coreia do Norte, com a autorização do então presidente, Bill Clinton. Em outubro, três meses após a morte de Kim Il-sung – sucedido por seu filho Kim Jong-il -, Pyongyang e Washington firmaram um acordo bilateral no qual a Coreia do Norte se comprometeu a desmantelar seu programa nuclear militar em troca de ajuda para a construção de reatores civis.

Em 1998, a Coreia do Norte realizou um tiro de míssil balístico de longo alcance, mas um ano depois Kim Jong-il decretou uma moratória de seus testes de mísseis e Washington aliviou as sanções. Em outubro de 2000, a então secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, se reuniu com Kim em Pyongyang.

“Eixo do mal”

Em janeiro de 2002, o então presidente americano George W. Bush reuniu Coreia do Norte, Iraque e Irã no que qualificou de “Eixo do mal”. Em outubro do mesmo ano, Washington acusou Pyongyang de conduzir um programa secreto de urânio altamente enriquecido, violando o acordo de 1994.

Em agosto de 2004, Pyongyang declarou que era “impossível” participar de novas negociações com os EUA sobre seu programa nuclear, qualificando Bush de “tirano” pior que Hitler e “imbecil político”. Em 2006, a Coreia do Norte realizou seu primeiro teste nuclear.

Lista

Em outubro de 2008, Washington retirou Pyongyang da lista de países que apoiam o terrorismo, na qual estava desde 1988 por seu suposto envolvimento na destruição, em 1987, de um avião comercial sul-coreano (com 115 pessoas a bordo), em troca do controle de “todas as instalações nucleares” do regime comunista.

Trump x Kim

No dia 2 de janeiro de 2017, Donald Trump afirmou que a Coreia do Norte jamais poderia desenvolver um míssil nuclear capaz de atingir o território americano. Em julho, Pyongyang testou mísseis intercontinentais e o agora líder Kim Jong-un declarou que “todo o território americano estava a seu alcance”.

Em 8 de agosto, Trump prometeu “fogo e ira” contra a Coreia do Norte. No fim do mesmo mês, Pyongyang testou um míssil balístico que sobrevoou o território japonês. 

No dia 3 de setembro, os norte-coreanos realizaram seu sexto teste nuclear, afirmando que explodiram uma bomba H. Após afirmar na ONU que “destruirá totalmente” a Coreia do Norte e qualificar Kim de “homem foguete”, Trump enviou em 23 de setembro bombardeios às imediações da costa norte-coreana.

Pyongyang reagiu ameaçando derrubar os aviões e acusando Trump de “declarar guerra”. No dia 26 de setembro, Washington sancionou oito bancos norte-coreanos e 26 cidadãos do país acusados de financiar o desenvolvimento do programa nuclear de Pyongyang.

Convite histórico

Em fevereiro de 2018, os Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang, na Coreia do Sul, marcaram uma reaproximação entre Norte e Sul, e os emissários dos dois países se encontraram em Pyongyang.

O conselheiro de segurança da presidência sul-coreana, Chung Eui-yong, revelou a disposição de Kim para um “diálogo franco” com os EUA, visando discutir a eliminação das armas nucleares da península. No dia 8 de março, durante visita à Casa Branca, Chung anunciou que Kim convidou Trump para um encontro nos próximos meses, o que foi aceito pelo líder americano. / AFP