Cronologia: o Zimbábue desde sua independência
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Cronologia: o Zimbábue desde sua independência

Ditador Robert Mugabe, que liderou a luta armada pela independência do país, chegou ao poder como primeiro-ministro em 1980 e tem governado com mão de ferro desde então; destituição de vice-presidente motivou crise atual e intervenção militar

Redação Internacional

15 Novembro 2017 | 10h46

HARARE – Desde a independência do país em 1980, Robert Mugabe controla o poder no Zimbábue. Abaixo, relembre algumas das datas-chave em seus 37 anos à frente do país, um dos governos mais longevos do continente africano.

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• De Rodésia a Zimbábue
Em 18 de abril de 1980 a Rodésia conquistou sua independência depois de 90 anos como colônia britânica e adotou oficialmente o nome de Zimbábue. Durante a guerra de independência (1972-1979) entre nacionalistas negros e a minoria branca no poder, liderada por Ian Smith, ao menos 27 mil pessoas morreram.

Robert Mugabe, líder do movimento armado que defendeu independência do Zimbábue, se perpetua no poder desde 1980 (AFP PHOTO / ZINYANGE AUNTONY)

Robert Mugabe, líder do movimento armado que defendeu independência do Zimbábue, se perpetua no poder desde 1980 (AFP PHOTO / ZINYANGE AUNTONY)

Robert Mugabe, líder da União Nacional Africana de Zimbábue (ZANU), chegou o poder como primeiro-ministro. Joshua Nkomo, presidente da União Nacional Popular Africana (ZAPU) e companheiro de Mugabe durante a luta armada, foi nomeado ministro de Interior.

Em 17 de fevereiro de 1982, Nkomo, acusado de planejar um golpe, é expulso do país. A resistência armada em sua região natal, Matabeleland, sofre uma sangrenta repressão por parte do governo, com saldo de ao menos 20 mil mortos.

Em 30 de dezembro de 1987, Mugabe se transforma em chefe de Estado depois de reformar a Constituição para que o país adotasse o sistema presidencialista. Dois anos depois, movimentos rivais se juntam para formar a União Nacional Africana de Zimbabué-Frente Patriótica (ZANU-PF).

• Tomada das fazendas dos brancos
Em fevereiro de 2000 começou uma violenta campanha de invasores e veteranos de guerra favoráveis que pediam a Mugabe que assumisse o controle de fazendas cujos donos fossem brancos.

Mais de 4 mil dos 4,5 mil camponeses brancos foram expulsos de suas terras com apoio do regime, oficialmente com o objetivo de corrigir as desigualdades existentes desde o tempo colonial.

• Mugabe se apega ao poder
Em março de 2002, Mugabe é reeleito presidente em votação marcada pela violência e entre denúncias de fraudes. Países do Ocidente impõem sanções ao Zimbábue.

Em março de 2008 o ZANU-PF é derrotado pelo Movimento por uma Mudança Democrática (MDC), de Morgan Tsvangirai, nas eleições legislativas. Tsvangirai ganha também o primeiro turno da eleição presidencial, mas desiste de concorrer no segundo turno, alegando violência contra seus partidários. Mugabe inicia um novo mandato presidencial.

Em agosto de 2013, Mugabe é reeleito com 61% dos votos contra 34% de Tsvangirai. O opositor diz que a votação foi uma “enorme falsa” e diz que o pleito “é nulo e sem efeito”.

Apesar das denúncias, a União Europeia começa a normalizar suas relações com o Zimbábue, retirando a maioria das suas sanções.

• Expurgo
Em 6 de dezembro de 2014, Mugabe nomeia sua mulher, Grace, que hoje tem 52 anos, presidente da divisão feminina do partido governante ZANU-PF.

Depois, reprime disputadas internas sobre seu sucessor, conduzindo uma operação de expurgo contra seus inimigos.

Em 14 de abril de 2016. o MDC reúne mais de 2.000 manifestantes em Harare na maior marcha organizada em uma década contra Mugabe.

Em 24 de setembro de 2017, o pastor ativista Evan Mawarire é detido depois de publicar um vídeo no qual reclamava da piora dos problemas econômicos do país. Em 6 de novembro, Mugabe destitui o vice-presidente Emmerson Mnangagwa – durante muito tempo considerado seu possível sucessor -, que foge para a África do Sul.

Em 13 de novembro, o chefe do exército do Zimbábue, general Constantino Chiwenga, ordena o fim do expurgo e adverte para uma possível intervenção dos militares. Um dia depois, vários taques começam a se movimentar nos arredores da capital Harare e, durante a noite, tiros são ouvidos nas imediações da residência presidencial. / AFP

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