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Cronologia: a crise na Ucrânia

Redação Internacional

18 de fevereiro de 2014 | 18h10

(Atualizada dia 05/02/15) Os protestos de rua na Ucrânia, liderados pela oposição, começam em novembro de 2013, quando o então presidente Viktor Yanukovich desistiu de um pacto de associação comercial com a União Europeia e optou por estreitar os laços com a Rússia.

Após quatro meses de crise, a população da Crimeia decide, em referendo, que o território fosse anexado à Rússia. Em Kiev, a nova elite política considera a votação ilegal e insistiu que Moscou deveria respeitar a soberania da Ucrânia. A crise passa a se concentrar no leste.

Em 21 de fevereiro, Yanukovich faz um acordo com a oposição e é deposto. O Parlamento aprova a restituição da Constituição de 2004 e a anistia para as pessoas envolvidas nos protestos contra o governo. Yanukovich foge para a Rússia. 

Leia os fatos marcantes da crise:

– 21 de novembro de 2013: Oposição convoca atos contra a decisão do governo de não assinar um acordo com a União Europeia e reforçar as relações com a Rússia (Veja o especial sobre as raízes do conflito)

– 24 de novembro de 2013: Uma grande manifestação ocorre em Kiev com o lema “Ucrânia é Europa”

– 1 de dezembro de 2013: Após várias manifestações, milhares de opositores tomam a Praça da Independência e pedem o fim do governo Yanukovich

– 8 de dezembro de 2013: “Marcha do milhão” em Kiev: manifestantes bloqueiam bairros e derrubam a estátua de Lenin

– 22 de dezembro de 2013: Oposição política e civis criam a União Popular “Maidán” (nome da praça da independência) e exigem eleições antecipadas e uma reforma constitucional

– 24 de janeiro de 2014: Prefeito de Kiev Alexander Popov é destituído

– 26 de janeiro de 2014: Manifestações se alastram por todo o país

– 28 de janeiro de 2014: O primeiro-ministro Mykola Azarov renuncia e o Parlamento aprova uma lei que anistia os detidos durante os protestos

– 31 de janeiro de 2014: Exército pressiona Yanukovich a adotar medidas urgentes para estabilizar o país

– 6 de fevereiro de 2014: O Parlamento concorda em discutir um projeto de reforma constitucional que retome a Carta Magna de 2004, abolida por Yanukovich

– 16 de fevereiro de 2014: Fim da ocupação da Prefeitura de Kiev e outras sedes administrativas após dois meses e meio de exigências para a libertação de detidos em manifestações

– 17 de fevereiro de 2014: Entra em vigor a lei de anistia, que beneficia os presos durante manifestações

– 21 de fevereiro de 2014: Os confrontos na Ucrânia deixam ao menos 77 mortos. Yanukovich e a oposição assinam um acordo para encerrar a crise política no país.

– 22 de fevereiro de 2014: Yanukovich foge quando opositores tomam o Parlamento em Kiev

– 27 de fevereiro de 2014: Parlamento ucraniano elege político pró-Europa como novo primeiro-ministro. No mesmo dia, separatistas tomam prédios do governo na Crimeia.

– 28 de fevereiro de 2014: Yanukovich aparece na Rússia, diz que não fugiu de Kiev e continuará lutando pela paz na Ucrânia.

– 1 de março de 2014: Exército ucraniano fica em estado de alerta após Senado russo autorizar o uso de força pelas forças do governo de Putin na Ucrânia.

– 6 de março de 2014: Parlamento da Crimeia aprova anexação do território à Rússia e convoca referendo para o dia 16. União Europeia e EUA impõem sanções a cidadãos russos por apoio ao referendo.

– 12 de março de 2014: Obama se reúne com o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, e reitera apoio ao país na “manutenção de sua integridade territorial e de sua soberania.”

– 14 de março de 2014: Tentativa de acordo entre EUA e Rússia sobre a Crimeia fracassa após reunião de John Kerry e Sergei Lavrov.

– 16 de março de 2014: Em referendo na Crimeia, 96,77% dos eleitores optaram pela anexação da região à Rússia.

– 17 de março de 2014: Putin assina decreto reconhecendo a Crimeia como um “Estado soberano e independente”. EUA e UE aplicam sanções a autoridades russas e ucranianas como retaliação ao referendo.

– 18 de março de 2014: Putin fala ao Parlamento russo e formaliza pedido por anexação da Crimeia. “A Crimeia sempre foi e é parte da Rússia”, disse o presidente russo.

– 7 de abril de 2014: Manifestantes pró-Rússia ocuparam prédios públicos em Donetsk, no leste da Ucrânia, e proclamaram a região uma república soberana. Um referendo de adesão à Rússia foi convocado para o dia 11 de maio.

– 17 de abril de 2014: Diplomatas da Rússia, Ucrânia, EUA, e União Europeia chegam a um acordo que prevê o desarme de grupos armados ilegais, a desocupação de edifícios em cidades do leste ucraniano e a anistia a insurgentes pró-Rússia.

– 18 de abril de 2014: Separatistas pró-Rússia rejeitam acordo alcançando em Genebra e dizem que não foram representados na decisão.

– 22 de abril de 2014: EUA anunciam o envio de tropas para a Polônia e Países Bálticos para realizarem exercícios militares, mostrando o compromisso de Washington com os aliados da Otan.

– 11 de maio de 2014: Donetsk e Luhansk realizam referendo separatista e aprovam autonomia das regiões.

– 25 de maio de 2014: Petro Poroshenko é eleito presidente.

– 14 de junho de 2014: Separatistas derrubam um avião militar no leste da Ucrânia e 49 pessoas morrem

– 25 de junho de 2014: Parlamento russo cancela resolução que autorizava o uso de força na Ucrânia

– 17 de julho de 2014: Voo MH 17 da Malaysia Airlines é derrubado perto de Grabove, território ocupado por separatistas, e 298 pessoas morrem

– 30 de julho de 2014: EUA e UE anunciam novas sanções à Rússia

– 22 de agosto de 2014: Comboio de ajuda humanitária entrega suprimentos em Luhansk sem a permissão de Kiev

– 5 de setembro de 2014: Ucrânia e separatistas pró-Rússia assinam uma trégua

– 9 de setembro de 2014: Especialistas holandeses concluem que voo da Malaysia Airlines se partiu no ar após ser atingido por objetos

– 26 de outubro de 2014: partidos pró-Ocidente vencem eleições parlamentares na Ucrânia

– 12 de novembro de 2014: Otan diz que tropas russas foram vistas entrando em território ucraniano

– 02 de dezembro de 2014: Parlamento ucraniano aprova novo governo, dando fim a semanas de conversas de bastidores. A nova formação incluiu partidos de forte inclinação pró Ocidente

– 20 de dezembro de 2014: UE endurece sanções econômicas à Crimeia, região anexada pela Rússia

– 26 de dezembro de 2014: Ucrânia e separatistas trocam 370 prisioneiros. Kiev entregou 222 prisioneiros e os insurgentes entregaram 145

– 29 de dezembro de 2014: Poroshenko diz estar otimista com conversas de paz que ocorrerão em janeiro

– Janeiro de 2015: Presidente do think tank International Crisis Group, Jean-Marie Guéhenno, listou dez cenários que deverão ter atenção este ano. A crise na Ucrânia não está entre as mais sanguinárias, mas o presidente do Crisis Group destaca que ela foi capaz de transformar, para pior, toda a relação entre a Rússia e as potências ocidentais

– 12 de janeiro de 2015: Interpol coloca ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich em lista de procurados por crimes financeiros

– 18 de janeiro de 2015: Poroshenko diz que o governo reforçará o controle no leste do país, onde o Exército lançou uma resposta contra os combatentes separatistas apoiados pelos russos. Tropas ucranianas retomam quase todo o território do aeroporto de Donetsk que os separatistas capturaram dias antes

– 26 de janeiro de 2015: Rússia culpa o governo ucraniano pelo aumento da violência no sudeste da Ucrânia, e pede ao Ocidente que não demonstre seu apoio a Kiev

– 27 de janeiro de 2015: Parlamento da Ucrânia qualifica os grupos rebeldes pró-Rússia que combatem no leste ucraniano de “organizações terroristas”, o que elimina formalmente a possibilidade de ocorrerem negociações de paz

– 01 de fevereiro de 2015: Número de mortes de civis e militares aumentou após uma nova ofensiva lançada pelos separatistas. O conflito deixou mais de 5 mil mortos, segundo a ONU

– 03 de fevereiro de 2015: Kiev anuncia que russos que quiserem entrar na Ucrânia precisarão apresentar um passaporte

– 05 de fevereiro de 2015: Otan vai reforçar forças no leste europeu como ação defensiva em resposta ao comportamento da Rússia na crise ucraniana e ao desafio representado pelo extremismo islâmico. Ao mesmo tempo, Angela Merkel e François Hollande visitam Kiev e Moscou para levar uma nova proposta de paz