De Kennedy a Obama, veja os contatos secretos entre EUA e Cuba ao longo dos anos
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De Kennedy a Obama, veja os contatos secretos entre EUA e Cuba ao longo dos anos

Desde a chegada de Fidel Castro ao poder em 1959, Havana sempre foi um tema político e extremamente delicado para Washington

Redação Internacional

21 de março de 2016 | 09h37

WASHINGTON – Barack Obama, que chegou no domingo a Havana para uma visita histórica, ficará conhecido como o presidente que abriu um novo capítulo nas relações entre EUA e Cuba. Mas ele não foi o primeiro a tentar uma aproximação. Durante mais de meio século, outros também fizeram tentativas discretas.

Desde a chegada de Fidel Castro ao poder em 1959, Cuba sempre foi um tema político e extremamente delicado para os EUA. Graças à ajuda de países como México, Espanha, Brasil, Canadá, e intermediários (assessores, empresários, escritores e jornalistas), as tentativas de aproximação, mais ou menos ambiciosas, marcaram a história da relação cubano-americana.

Em 1962, depois da crise dos mísseis soviéticos na ilha, incidente que esteve a ponto de resultar em um conflito nuclear mundial, John F. Kennedy explorou a possibilidade de uma aproximação, esperando tirar proveito da fúria de Fidel Castro em relação à União Soviética, que decidiu retirar os mísseis sem consultá-lo.

“Kennedy achou que poderia ser a ocasião para Cuba sair da órbita soviética”, explica William LeoGrande, da American University, e coautor do livro “Back Channel to Cuba”, que aborda o assunto.

JFK entregou pessoalmente ao jornalista francês Jean Daniel, em 1963, um mensagem para o “Líder Máximo”. O jornalista, com a singular missão de mensageiro, se reuniu com o pai da revolução cubana. “Ambos dirigentes pareciam prestes a alcançar a paz”, contaria mais tarde.

Mas, no mesmo dia do encontro, em 22 de novembro de 1963, Kennedy foi assassinado em Dallas. Tudo desabou. Lyndon Johnson, que sucedeu JFK na Casa Branca, não quis seguir pelo mesmo caminho.

Kissinger e Carter. Em meados dos anos 70, sob a presidência de Gerald Ford, o secretário de Estado Henry Kissinger buscou, sob o maior sigilo, normalizar as relações diplomáticas rompidas em janeiro de 1961. Mas a intervenção das forças armadas cubanas em Angola, em 1975, para apoiar o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, hoje no poder) minou a tentativa.

Algumas semanas depois de assumir, em 1977, Jimmy Carter ordenou que negociações fossem feitas para normalizar os laços com a ilha. “Sempre tenho um boa opinião sobre Carter, um homem honrado, de ética”, declarou Fidel Castro anos mais tarde. “Carter era um homem que queria acertar os problemas entre EUA e Cuba”.

No entanto, a tentativa fracassou mais uma vez em razão da presença militar cubana na África.

Bush e Obama. Depois do fim da Guerra Fria, o governo de George W. Bush manteve firme a posição de não fazer qualquer concessão a Cuba sem uma mudança de regime. Mas em 2013, Obama autorizou o início das discussões exploratórias com Havana.

A primeira reunião aconteceu no Canadá, em junho. O papa Francisco se ofereceu para pessoalmente impulsionar a aproximação. Em outubro, as delegações dos dois países se reuniram em Santa Sé, na presença de dirigentes católicos, para acertar os termos da normalização.

Em 17 de dezembro de 2014, o anúncio da aproximação pegou o mundo de surpresa. Em 18 meses de negociações ultrassecretas, nenhuma palavra vazou para a imprensa.

“Nos anos 60 e 70, em plena Guerra Fria, os presidentes americanos não queriam se mostrar fracos ante o comunismo”, explica LeoGrande. “Esse é o motivo pelo qual Johnson não seguiu com a iniciativa de Kennedy”.

Já a partir dos anos 80, a influência e o peso político da comunidade cubana da Flórida passou a ser determinante e impediu o projeto de qualquer aproximação. Isso porque os candidatos à presidência, particularmente no campo democrata, temiam que o simples fato de evocar uma aproximação com Cuba implicaria em perder os votos na Flórida e, por portanto, perder a Casa Branca. /AFP

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