Deputada espanhola leva filho de sete meses ao plenário e causa polêmica
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Deputada espanhola leva filho de sete meses ao plenário e causa polêmica

Carolina Bescansa recebeu apoio e críticas de colegas e associações; casp despertou debate sobre conciliar vida familiar e profissional

Redação Internacional

15 Janeiro 2016 | 09h14

MADRI – A decisão de uma deputada espanhola de levar seu bebê à cerimônia de posse dos novos parlamentares no Congresso e amamentá-lo em plenário provocou uma onda de reações de políticos e grupos sociais sobre as dificuldades dos pais para compatibilizar a vida familiar e profissional.

A imagem da deputada Carolina Bescansa, do partido de esquerda Podemos, com seu filho Diego de sete meses nos braços durante a abertura da legislatura foi destaque nessa semana em todos os meios de comunicação espanhóis e motivo de comentários em jornais e redes sociais.

Foto: PIERRE-PHILIPPE MARCOU / AFP

Foto: PIERRE-PHILIPPE MARCOU / AFP

O debate levantado foi se a decisão de Bescansa é uma reivindicação do direito a conciliar a vida familiar e profissional ou um simples gesto para conseguir notoriedade para seu partido, uma legenda nova que se tornou a terceira maior bancada na Câmara.

Diversos políticos se manifestaram, começando pelo presidente do Congresso, o socialista Patxi López, que reconheceu não ter gostado da cena – que chamou de “anedota” – e lamentou que uma “opção pessoal” se transforme em “categoria geral”.

No entanto, o líder do partido socialista PSOE, Pedro Sánchez, declarou que a deputada do Podemos “está em seu direito de fazer o que fez”.

A própria deputada defendeu a decisão de levar o filho ao parlamento e amamentá-lo na cadeira parlamentar porque, em sua opinião, quando se cria um bebê, é preciso ir com ele “a todas as partes”. Ela defendeu o direito de que todos tenham que criar seus filhos “como podem e querem”.

Outras deputadas lembraram que o Congresso tem uma creche para os filhos dos parlamentares e dos demais funcionários que trabalham na Câmara, uma situação que não se repete na maioria das empresas espanholas.

Entre as críticas, a Rede Feminista afirmou em várias mensagens de Twitter que o Congresso tem creche e lamentou que a maternidade seja usada “como elemento de exibição”.

A Federação de Mulheres Progressistas também considerou que o gesto de Bescansa lança uma mensagem “contraprodutiva, muito pouco afortunada e que causa muito prejuízo”, pois não se trata de apostar na conciliação das atividades, mas na corresponsabilidade no cuidado dos filhos.

Muitos internautas elogiaram a postura da deputada dizendo que contribuiu para chamar a atenção para a necessidade de promover a conciliação trabalhista.

O gesto de Carolina Bescansa põe sobre a mesa uma realidade da sociedade espanhola: as dificuldades das famílias, principalmente as mulheres, para conciliar a vida familiar e a profissional, em um país com longas jornadas de trabalho e escassez de creches.

Além disso, como na Espanha os salários das mulheres são mais baixos que os dos homens, é mais fácil que elas abram mão de seu trabalho caso não possam compatibilizar a vida familiar com o trabalho.

A legislação espanhola oferece 16 semanas de licença-maternidade, das quais seis devem ser tiradas obrigatoriamente pelas mulheres após o parto, e o resto do período pode ser dividido entre os pais. Além disso, as mães têm direito a um tempo de lactação durante os primeiros nove meses do bebê.

O fato de políticas mostrarem seus filhos ou continuarem exercendo seus cargos durante as gestações contribui para reivindicar melhoras.

Na história recente da Espanha outras políticas compatibilizaram sua maternidade com o exercício de altos cargos, como é o caso da atual vice-premiê, Soraya Sáenz de Santamaría, que deu à luz quando ocupava o posto. Na época, ela foi criticada por não ter tirado todo o período de licença-maternidade oferecido pela lei e por ter voltado a trabalhar menos de um mês depois do parto.

Mas talvez a imagem mais chamativa tenha sido a da socialista Carme Chacón após ser nomeada ministra da Defesa no ano 2000, passando as tropas em revista em avançado estado de gestação. Nessa semana, no entanto, ela criticou a atuação de Bescansa e lembrou que, quando foi ministra da Defesa, levava a seu bebê à Câmara e lhe dava de mamar em seu escritório, sem necessidade de levá-lo ao plenário. /EFE

Mais conteúdo sobre:

Carolina BescansaEspanhaParlamento