Disney inaugura parque temático em Xangai
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Disney inaugura parque temático em Xangai

Para construir o parque foi necessária a realocação forçada de mais de 2 mil famílias de quatro populações, assim como de 297 empresas e de mais de 1,2 mil túmulos de um cemitério local

Redação Internacional

16 Junho 2016 | 05h00

XANGAI – Cerca de 14 anos após iniciar seus primeiros contatos para abrir um parque temático na China, a Disney inaugurará nesta quinta-feira, 16, após sucessivos atrasos e quase meia década de construção, o Complexo Disney Xangai.

Este será o sétimo e o menor dos parques da companhia no mundo todo, embora nesta ocasião não estará totalmente sob seu controle, já que a Disney teve de aceitar criá-lo mediante uma empresa mista controlada 57% pelo Shengdi, um conglomerado de empresas estatais do governo de Xangai.

Shanghai Disney Resorts are seen during the three-day Grand Opening events in Shanghai, China, June 15, 2016. REUTERS/Aly Song

Parque da Disney em Xangai. Foto: Aly Song/Reuters

De fato, o parque tem muitos aspectos dos costumes chineses: quase toda comida servida é em estilo oriental, há zonas temáticas inspiradas no imaginário cultural chinês, e um de seus dois hotéis (ambientado no filme Toy Story) tem forma de oito, número de sorte no país.

“Queríamos construir algo que fosse autenticamente da Disney, mas distintivamente chinês”, disse aos veículos de imprensa locais o presidente-executivo da companhia, Bob Iger, que vê este parque, que terá o castelo da marca mais alto do planeta, “mais como o Disney da China do que como a Disney na China”.

Seja como for, a companhia parece ter cedido a várias exigências das autoridades para levar o projeto adiante. O próprio Iger chegou a afirmar em 2005, ao abrir a Disneylândia Hong Kong, que para entrar no gigante asiático, deveria conceder ter um canal televisão temático no país.

Na China, os veículos de imprensa estão controlados pelo Estado e o controle parece ter calado até a gestão de tudo o relacionado com o projeto, dadas as dificuldades quase surrealistas que tiveram vários veículos de imprensa estrangeiros para cobrir a abertura do parque ou da primeira loja da Disney no país, a maior da marca no mundo todo, em maio de 2015.

O desconcerto entre muitos correspondentes estrangeiros de Xangai em torno do projeto foi constante nos últimos meses, com incríveis dificuldades até mesmo para entrar em contato com a Disney na China.

A surpreendente opacidade da companhia ficou patente quando, em entrevista coletiva organizada pelo governo de Xangai, o responsável da Disney na cidade respondeu à pergunta de quantas entradas tinham vendido até então: “muitas”.

Após anos de negociações que estiveram a ponto de fracassar várias vezes, Pequim deu sinal verde ao projeto em 2009 e começou a construir o parque em 2011, por isso a data de abertura prevista foi atrasando por anos sucessivos, desde 2012, até finalmente ocorrer em 2016.

Para construir o parque foi necessária a realocação forçada de mais de 2 mil famílias de quatro populações, assim como de 297 empresas e de mais de 1,2 mil túmulos de um cemitério local, que tiveram de ser transferidos em 2011 com uma compensação econômica para as famílias de 300 iuanes por corpo (US$ 40 então).

A isso uniu-se em setembro o fechamento adicional de 153 empresas poluentes próximas.

O que se abre hoje é uma primeira fase de 1,16 quilômetros quadrados de parque e 2,74 de estacionamentos e zonas de hotelaria, mas há outros 3 quilômetros quadrados para uma ampliação mais adiante do parque, que custou até agora cerca de US$ 5,5 bilhões.

Coincidindo com a abertura, a ONG China Trabalho Watch publicou um relatório de pessoas infiltradas que denuncia condições de trabalho arcaicas em várias fábricas de produtos e brinquedos oficiais da Disney neste país, com horários sem pausa de 11 horas seguidas, pagamentos de US$ 1,3 por hora e higiene inadequada. / EFE